Agência Estado
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ExtremosFHC ao lado de Arlindo Porto e Mário Covas: críticas ao MST e ao sistema financeiroO presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que o governo está confiante no crescimento da agricultura brasileira. Durante visita à Feira Internacional de Tecnologia Agrícola (Agrishow/97), uma das maiores do setor no País, ele tranquilizou os produtores rurais ao anunciar que o governo está finalizando uma política agrícola permanente. O discurso ameno, no entanto, assumiu tom de crítica quando o presidente se referiu ao movimento dos sem-terra e ao sistema financeiro nacional.
‘‘Nunca me recusei a conversar e recebi o MST quatro vezes no gabinete da Presidência para propor o diálogo’’, disse. ‘‘Acredito que, ao invés de fazer luta lá fora e mandar mensagens contra o governo pedindo reforma agrária, deveriam pedir lá fora que derrubem barreiras tarifárias para que possamos exportar mais, sobretudo produtos de assentamentos. Segundo Fernando Henrique, é preciso formar uma nova visão a respeito do programa agrário do País.
Em relação ao sistema financeiro, Fernando Henrique disse que, quem tem recursos - ‘‘os bancos’’ - têm de apostar nos produtores rurais. De acordo com ele, este é um risco que justifica os juros. ‘‘É preciso mudar a mentalidade do sistema financeiro brasileiro, e está mudando’’, avaliou. ‘‘Não tive dúvidas em tomar decisões solitárias que a Constituição me permitia - depois vão dizer que é prepotência - para permitir a entrada de um banco holandês de crédito cooperativo no País’’, acrescentou. O presidente disse ainda que no momento em que todos os setores estão abertos não é possível que o sistema financeiro ‘‘fique cerrado à competição’’.
Ao citar o financiamento rural, que este ano será liberado em maio, o presidente garantiu que o governo está trabalhando para lançar uma política agrícola permanente. ‘‘Isso para o produtor não ter de esperar todos os anos por uma definição do ministro da Fazenda sobre a liberação dos recursos. Fernando Henrique citou o lançamento do Programa de Financiamento ao Pequeno Produtor (Pronaf) como exemplo de medida adotada pelo governo para incentivar a agricultura. ‘‘Fiquei feliz ao saber que hoje 30% dos financiamentos de máquinas agrícolas são feitos pelo Pronaf.
De acordo com o presidente, o crescimento do Brasil irá depender do setor primário. ‘‘A agricultura não é passado, é futuro. E isso é o que vai financiar o Brasil durante muito tempo, até que tenhamos condições de generalizar esse processo no nível industrial e competir com mais tranquilidade internacionalmente. Fernando Henrique disse ainda que o Brasil agora está percebendo sua capacidade de multiplicar seu potencial agrícola. Na avaliação do presidente, o Brasil tem capacidade de multiplicar a safra recorde prevista para este ano de 81 milhões de toneladas. ‘‘Essa compreensão do nosso potencial é essencial, sobretudo porque dá uma dimensão nova à agricultura, ao ‘‘agribusiness’’.

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