Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse ontem que seu governo não se envolverá na campanha eleitoral deste ano. FHC também cobrou mais agilidade do Congresso Nacional na votação e aprovação das matérias que considera prioritárias para o País. As declarações foram dadas durante o discurso feito pelo presidente na cerimônia de posse do novo ministério. FHC afirmou que terá seu candidato à sua sucessão, mas não vai misturar governo com campanha.
‘‘O presidente terá seu candidato, dirá quem é na campanha, mas governo é uma coisa campanha é outra. Governo que se mete em campanha atrapalha o candidato e candidato que pretende que o governo atue para ajudá-lo é porque não tem força. Nós temos um candidato com força, não precisa de governo’’, disse FHC, referindo-se ao pré-candidato do PSDB à presidência, senador José Serra (SP).
FHC afirmou ainda que os novos ministros, Miguel Reali Júnior, da Justiça e Euclides Scalco, da Secretaria Geral da Presidência, desempenharão um papel fundamental para não ocorrer uma mistura entre as ‘‘táticas de governo com as táticas de campanha eleitoral’’.
Num discurso, que durou 40 minutos, o presidente elogiou praticamente todos os ex-ministros que estão saindo ou deixaram os cargos recentemente, à exceção dos que eram indicações do PFL e também os novos ocupantes dos cargos no ministério.
‘‘Vamos perder bons ministros, mas vamos ganhar muito bons candidatos. Uma boa parte dos que entram hoje já estava no governo, isso porque é preciso dar continuidade ao trabalho, dar continuidade aos programas. Nós contamos hoje com uma equipe extraordinária’’, disse FHC.
O presidente alertou o Congresso para a necessidade de mudar também sua sistemática de trabalho para agilizar as votações das MPs. FHC ressaltou a necessidade de se aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). ‘‘Temos a CPMF também, que é muito importante, porque o atraso na votação trará consequências negativas e não é para mim. Podem ser também, mas não é o principal. É para o povo que não terá certos programas e para parlamentares que não terão suas bases atendidas’’, afirmou FHC prevendo cortes nos recursos de programas de governo e de emendas de congressistas acrescentadas ao orçamento da União.
O novo ministério de FHC conta com a participação de dois paranaenses. Além de Scalco, o Ministério de Minas e Energia será ocupado pelo ex-diretor da Itaipu Binacional e ex-presidente da Copel Francisco Gomide (PMDB).

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