Agência Estado
O presidente Fernando Henrique decidiu estar hoje no seu gabinete do Planalto logo pela manhã. Marcou com os ministros uma reunião de coordenação às 10 horas e terá encontros e despachos rotineiros de manhã e à tarde. Por intermédio de seu porta-voz, FHC reafirmou que manifestações ‘‘fazem parte da democracia’’ e que sua expectativa é de que a marcha acontecerá ‘‘dentro da ordem e da lei’’.
Assessores de FHC não escondem, entretanto, o temor de que o movimento seja acompanhado de baderna. ‘‘Nossa preocupação é que haja disputas e brigas entre os manifestantes, que já se mostram divididos’’, afirmou um interlocutor de FHC. Mas os assessores do presidente contabilizam como fato positivo a saída dos caminhões e tratores dos agricultores da Esplanada. ‘‘É bom que saiam porque senão poderia resultar em pancadaria, é outro tipo de confronto.’’
Desde ontem a rotina de FHC foi levemente alterada. Para participar de solenidade em comemoração ao Dia do Soldado, no Setor Militar Urbano de Brasília, Fernando Henrique optou por chegar de helicóptero, para não passar pela Esplanada.
Na véspera da marcha, a Esplanada já estava ontem fora de seu ritmo normal. De manhã, uma pequena manifestação pedia apoio para a educação, saúde e mais postos de trabalho para os portadores de deficiência. Eles protestaram em frente ao Planalto e uma comissão foi recebida pelo ministro Aloysio Nunes Ferreira.
No horário do almoço foi a vez dos agricultores passarem ao lado do Palácio, antes da retirada dos caminhões e tratores do Esplanada. No meio da tarde, uma passeata de servidores públicos também fez bastante barulho nas proximidades do Planalto.
Com faixas, bandeiras vermelhas e entoando cantos e palavras de ordem, os servidores vieram de vários Estados para pedir a reposição dos salários e criticar o Programa de Demissão Voluntária (PDV) do governo. Mas as palavras de ordem já usavam o slogan da marcha de hoje: ‘‘Arerê, eu vou botar pra fora o FHC’’, cantaram os manifestantes.

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