FHC promete criar 7,8 mi empregos
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domingo, 23 de agosto de 1998
Agência Folha 
Paulo Lacerda/AEAliadosFernando Henrique Cardoso e Antonio Carlos Magalhães no Hotel Praia do Forte, na Bahia: prioridade absoluta é o empregoO presidente Fernando Henrique Cardoso definiu ontem que sua principal meta, em um eventual segundo mandato, será gerar 7,8 milhões de novos empregos em um período de quatro anos. Outras prioridades serão melhorar a inserção no mercado de produtos agrícolas oriundos de assentamentos rurais e promover a capacitação profissional de trabalhadores.
A proposta não apresenta uma fórmula pronta para gerar empregos. Apenas aponta a necessidade de incentivar por meio de investimentos os setores econômicos capazes de gerar empregos nas indústrias, na construção civil, nas pequenas e médias empresas e na agricultura. Conter o aumento do desemprego é um dos principais problemas de FHC.
Segundo o IBGE, em fevereiro de 95, o índice de desemprego era de 4,42%. A política de juros altos, adotada para manter a inflação em níveis baixos e evitar a fuga de capital estrangeiro, elevou a taxa. Em junho, segundo o IBGE, o índice chegou a 7,9%.
As metas para o eventual segundo mandato de FHC estão na proposta de programa de governo aprovada ontem, durante reunião entre o presidente e os integrantes do conselho político que apóiam a reeleição. Participaram os ministros Paulo Renato Souza (Educação), Eduardo Graeff (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Transportes), deputados, senadores e assessores da Presidência. A reunião foi no Palácio da Alvorada e durou cinco horas.
Tudo tem de ter meta, não obrigatoriamente números. O difícil é como alcançar, afirmou Padilha, ao deixar o Alvorada, sem dar detalhes. Para a área de educação, a proposta sugere que, se reeleito, FHC incentive o ensino profissionalizante.
Comício Em seu segundo comício na Bahia como candidato à reeleição em menos de 24 horas, o presidente Fernando Henrique Cardoso elegeu o desemprego como a prioridade absoluta da sua próxima administração, caso vença as eleições de outubro.
Quem acabou com a inflação no Brasil também está preparado para acabar com o desemprego. Nós vamos fazer um grande programa para colocar no mercado de trabalho as pessoas desempregadas, disse o presidente durante o comício realizado, sábado à noite, em Paripe (subúrbio de Salvador). Na avaliação de FHC, o comício foi o maior até agora desde que foi escolhido como candidato do PSDB à reeleição. Segundo a Polícia Militar, 30 mil pessoas compareceram.
Sexta-feira à noite, Fernando Henrique Cardoso participou pela primeira vez de um comício na Bahia como candidato à reeleição. A festa aconteceu em Ilhéus (429 km ao sul de Salvador). O discurso de sábado não foi muito diferente do pronunciamento feito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no sul da Bahia. Ele voltou a defender a estabilidade do Plano Real que distribuiu renda no Brasil e agradeceu os apoios recebidos do ex-deputado Luís Eduardo Magalhães e do ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta. Os dois morreram em abril último. Luís Eduardo Magalhães e Sérgio Motta foram esteios do meu governo, disse o presidente.
Em seu discurso, FHC agradeceu também o apoio que tem recebido do presidente do Congresso, o senador Antonio Carlos Magalhães. Antonio Carlos Magalhães conhece muito bem os problemas do Brasil e tem me ajudado muito, ressaltou. Penúltimo político a discursar, o senador ACM disse que Fernando Henrique Cardoso terá uma vitória tranquila no primeiro turno. A população brasileira aprovou o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e espera que ele faça ainda muito mais na segunda gestão, acrescentou.
PSTU Os advogados do presidente Fernando Henrique Cardoso, candidato a reeleição, pediram ontem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) direito de resposta no horário eleitoral gratuito do PSTU. No programa apresentado no último sábado, às 13h, o PSTU afirmou que a privatização da Telebrás foi um escândalo e que FHC teria entregado a maior empresa do Brasil para os monopólios internacionais, segundo os advogados.
Ainda segundo eles, o programa do PSTU teria concluído esse comentário afirmando que FHC teria usado de violência só comparável aos tempos da ditadura para garantir a venda do Sistema Telebrás. Ao fazer essa afirmação, o PSTU passou a idéia de que o processo de privatização das empresas de telecomunicações brasileiras teria sido ilegal, imoral e irregular. A privatização, porém, transcorreu de forma cristalina, afirmam os advogados. A defesa de FHC pede que o TSE suspenda o horário eleitoral do PSTU no dia seguinte ao exercício do direito de resposta.


