Presidente empossa ministério reafirmando meta de crescimento pelo aumento das exportações e combate ao desemprego

Tânia Monteiro
e LiSge Albuquerque
Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique empossou ontem os novos ministros reafirmando os compromissos anunciados na posse de seu segundo mandato, em janeiro: trabalhar pelo desenvolvimento econômico, aumentando as exportações e combatendo o desemprego. FHC apontou as missões de cada novo ministro e mandou um recado aos partidos de oposição. Afirmou estar aberto ao diálogo, mas avisou que não aceitará propostas golpistas que desrespeitem a vontade do povo. Com a nova equipe e a fala otimista, FHC recomeçou seu governo, marcado até agora por crises e escândalos.
Em discurso conciliador, Fernando Henrique agradeceu a ‘‘compreensão’’ dos partidos que o apóiam, ‘‘sobretudo o PMDB e o PSDB’’, que entenderam os seus desafios. Disse ainda que houve ‘‘mudança de tônica’’ no governo, acrescentando que o Brasil está pronto para ‘‘alçar vôo maior’’. O presidente advertiu ainda que não aceita mais que discussões menores prejudiquem os projetos maiores, em novo recado aos partidos aliados.
Aos que criticam a demora no anúncio dos novos nomes, Fernando Henrique disse que se enganam os que imaginam que ‘‘os dias de decisão foram de aflição por pressões indevidas, ou mesmo devidas’’. Ele assegurou que foram dias de ‘‘compreensão respeitosa’’ de que o Brasil precisava mudar mais depressa, exigindo dele certas ações.
O presidente apelou à base governista para que dê prosseguimento às reformas que o País precisa. E frisou que a negociação com os partidos será dividida agora entre o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e o novo secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, que terá status de ministro e foi nomeado para ser o responsável pela articulação política do governo.
A expectativa de FHC é de que com as mudança, as ações de governo comecem a deslanchar. Mas ele tem admitido a interlocutores que nem todos os problemas estarão resolvidos com o novo ministério. Ao contrário, há obstáculos que, acredita, poderão ser superados com mais facilidade já que conta, agora, com uma equipe melhor preparada.
FHC tem anunciado que, depois de passar o início do ano tentando segurar a inflação, agora é hora de perseguir o crescimento. Ele está convencido de que com Aloysio Nunes Ferreira no Palácio do Planalto, muitos de seus problemas políticos estarão solucionados, evitando, inclusive, as trombadas entre ministros, que tanto atrapalharam durante o primeiro semestre.
Mais da metade do discurso do presidente foi dedicado a elogiar os ministros que deixaram o governo. O presidente também advertiu que continuará com o propósito de manter as contas públicas equilibradas e tentou acalmar os funcionários públicos, dizendo que sua intenção é tornar a máquina mais eficiente.
O PSDB assumiu todos os cargos da coordenação política do governo. No mesmo instante em que FHC empossava Aloysio Nunes Ferreira Filho (PSDB-SP) como secretário-geral da Presidência, o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF) anunciava que fora indicado para ser o novo líder do governo no Senado. É a primeira vez que um único partido detêm todos estes cargos, desde que FHC tomou posse, em janeiro de 1995.

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