O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem em Nova York, no encerramento de sua visita de quatro dias aos Estados Unidos, que vai acelerar a aprovação de algumas medidas da reforma tributária ainda este ano no Brasil, indicando como prioridade a eliminação dos impostos em cascata que encarecem a produção, como o PIS (Programa de Integração Social) e o Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), e daqueles que ainda incidem sobre exportações. A afirmação de FHC atende às expectativas de investidores brasileiros e estrangeiros.
Num jantar com seleto grupo de banqueiros em Nova York, promovido pelo Economic Club na segunda-feira à noite, e num café da manhã com empresários, ontem, Fernando Henrique explicou que a questão da reforma tributária é politicamente complexa porque mexe com os interesses do governo federal, dos Estados e dos municípios. ‘‘Mas a discussão política não é o mais importante’’, disse o presidente.
Fernando Henrique disse que de volta a Brasília - ele embarcaria ontem - terá outro encontro, para saber como pode ajudar a aprovar essa primeira leva de medidas até dezembro. ‘‘Quero que o Congresso tenha alguns votos substantivos sobre reforma tributária antes de 2000’’, disse o presidente.
Os banqueiros e empresários acham fundamental aprovar a reforma tributária o quanto antes. ‘‘Este ano estamos todos tranquilos em relação à economia brasileira - nossa preocupação é com o futuro’’, disse John Welsh, economista- chefe para a América Latina do Banco Paris Bas. ‘‘As privatizações vão acabar e a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) não é um imposto perpétuo’’, acrescentou.
Para garantir o crescimento da economia e das exportações - disse Welsh - o governo precisa simplificar o sistema de impostos e aumentar a base de arrecadação. ‘‘Se não fizer a reforma tributária em 1999, não poderá fazê-la no ano 2000, por causa das eleições, e correrá um enorme risco se for deixá-la para o ano 2001.’’
A afirmação de FHC foi a propósito de indagação do economista-chefe do Chase Manhattan Bank, John Lipsky, que perguntou se o presidente achava possível aprovar as reformas prometidas quando o Congresso brasileiro estava preocupado com outros temas, referindo-se indiretamente às CPIs).
‘‘Estamos felizes que a recuperação da economia brasileira foi tão rápida, mas todos nós também sabemos que se o Brasil tivesse sido menos complacente no passado e feito o ajuste fiscal antes da crise estourar, não teria passado pelo que passou’’, disse Lipsky. ‘‘Daí a importância de ouvirmos, do presidente, que ele assumiu um compromisso pessoal com as reformas e não se deixará levar pelas pressões políticas ou um clima de excessivo otimismo.’’

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