Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso previu ontem que o caminho para o próximo ano será ‘‘mais suave’’ do que se imaginou no início deste ano. Segundo ele, a inflação está sob controle e as previsões de crescimento são melhores. Em duas solenidades ontem com militares, o presidente afirmou que o Brasil estancou ‘‘o famoso contágio que ameaçava desorganizar a economia mundial’’, reconhecendo ter pago, pela crise, um ‘‘preço alto pessoal, político e de sacrifício para o povo’’.
‘‘Mas, possivelmente, olhando em retrospecto o ano que passou, chegamos ao fim dele com mais ânimo do que seria possível imaginar no começo deste ano’’, disse. FHC participou no Palácio do Planalto e no Clube da Aeronáutica de duas solenidades militares. Na primeira, ele saudou os oficiais recém-promovidos e na segunda, almoçou com 174 oficiais-generais das três Forças. Ele disse que, no início do mandato, o Ministério da Fazenda tinha de enfrentar três problemas: ‘‘Inflação, inflação e inflação’’. Agora, acrescentou, ‘‘o Brasil tem de enfrentar três problemas: educação, educação e educação.’’
Ao falar sobre as dificuldades orçamentárias enfrentadas por todos os setores este ano, FHC agradeceu a compreensão e o apoio das Forças Armadas e anunciou que tempos melhores virão. ‘‘Vento e maré não ajudam a quem não sabe para onde quer ir’’, afirmou o presidente. ‘‘Os tempos já são de reconsiderar muitos de nossos projetos nacionais.’’
FHC afirmou estar terminando o ano com ‘‘muitas realizações’’ e assegurou que outras ainda estão a caminho em áreas como saúde, previdência, educação e emprego, ‘‘muito importantes para o bem-estar do povo’’. Ele classificou como momentos mais difíceis dos últimos tempos os meses entre novembro e março.
‘‘A ninguém escaparam as dificuldades que o Brasil enfrentou nesses últimos tempos’’, acentuou. ‘‘Mas também a ninguém escapou, espero, a determinação, mesmo com a serenidade que é necessária nesses momentos, com que o governo conseguiu superar, pouco a pouco, as várias dificuldades, de tal forma que efetivamente, sem nenhum exagero, é possível hoje dizer que entraremos para o próximo milênio, no dobrar desse ano, de uma maneira mais esperançosa’’, acrescentou.
Reiterando as palavras do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Walter Briuer, durante a saudação ao presidente, FHC disse que já foram ultrapassados os primeiros passos na instalação do Ministério da Defesa. ‘‘E caminhamos firmemente para a sua consolidação’’. Briuer, em seu discurso disse que a criação do ministério ‘‘estreitou o relacionamento’’ entre as Forças Armadas. ‘‘Os senhores são os grandes responsáveis por essas transformações e o resultado já se pode esperar, com Forças Armadas coesas e objetivos muito claros’’, completou FHC.
O presidente elogiou ainda o comportamento ‘‘leal, desprendido, disciplinado e democrático’’ das Forças Armadas. Lembrou que, não obstante às restrições orçamentárias, as forças vêm se atualizando, de forma a manter os meios adequados para o cumprimento de suas missões constitucionais.

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