FHC pressiona PMDB com ultimato
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quinta-feira, 05 de julho de 2001
Christiane Samarco Agência Estado De Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso deu um ultimato ao PMDB. Se quiser manter seus cargos no Executivo federal, o partido terá que definir oficialmente não só seu apoio ao governo, como também se dará a legenda ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), na corrida presidencial de 2002. O presidente não quer deixar a candidatura Itamar em suspenso até abril (quando se encerra o prazo legal para que os candidatos deixem seus postos no governo) e está convencido de que esta questão tem que ser resolvida em setembro, resume um importante cardeal do PSDB.
Em conversas com representantes da cúpula do PMDB esta semana, Fernando Henrique insistiu que não está participando de nenhuma articulação com o PFL e o PSDB para excluir o partido da aliança, mas deu sinais de que a indefinição tem prazo para acabar. O PMDB tem realmente que definir seu caminho, mas não precisa ser hoje porque tem convenção nacional em setembro, disse o presidente na noite de anteontem, em conversas com seu o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB), e com o ex-presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP).
O recado foi dado exatas 24 horas depois do encontro com os presidentes do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e do PSDB, deputado José Anibal (SP), no Palácio da Alvorada. Aos peemedebistas, o presidente revelou-se desconfortável com os ataques que vem recebendo do presidente nacional do partido, senador Maguito Vilela (GO). Ele vai aguardar a convenção nacional do PMDB para dar um prazo para que seus aliados trabalhem o partido, contou um interlocutor presidencial que acompanhou o desenrolar das conversas. O interlocutor confirma que Fernando Henrique está realmente no limite de sua paciência com o PMDB e quer saber quem está com ele e quem está com Maguito e Itamar.
Preocupado com as notícias de que a reunião da véspera com a cúpula do PFL e PSDB estava sendo interpretada como um movimento do Palácio do Planalto para excluir o PMDB das articulações para 2002, o próprio presidente tomou a iniciativa de convidar o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, para uma conversa. Temer é o candidato da ala governista do PMDB para assumir o comando do partido em setembro, substituindo Maguito Vilela. Mas enquanto setores do PMDB falam na construção de uma chapa de consenso com os rebeldes ligados ao governador mineiro, outros já adiantam que Temer irá bater chapa com a turma de Itamar na convenção.
A preocupação do governo em definir a posição do partido quanto à candidatura de Itamar tem razões que remontam à reeleição. O presidente não se incomoda se o PMDB continuar com ele e o Itamar sair candidato a presidente, contra o Planalto, desde que não seja pelo partido, explica um dirigente nacional do PSDB que participa deste debate.
Segundo o tucano, Fernando Henrique não admitirá ser culpado, mais uma vez, pela recusa do PMDB de abrigar a candidatura do governador mineiro ao Planalto. Em 1998, o partido não chegou a participar oficialmente da aliança em torno de Fernando Henrique. Mas o PMDB, que não lhe deu os minutos a que tinha direito na propaganda eleitoral gratuita, acabou debitando na conta presidencial o veto à candidatura Itamar.


