Arquivo FolhaTroca de apoioAntonio Britto: apoio do presidente fortalece reeleição do governador do Rio Grande do SulA ofensiva do presidente Fernando Henrique Cardoso e da cúpula nacional do PSDB conseguiu evitar o lançamento de candidatura própria do partido ao governo do Rio Grande do Sul. A decisão de manter a coligação com o PMDB do governador Antônio Britto, que deve concorrer à reeleição, foi tomada, por pequena diferença de votos, em pré-convenção realizada anteontem.
A tese favorável à manutenção da aliança com o PMDB teve 210 votos, contra 195 dados à da candidatura própria, postulada pelo vice-governador do Estado, Vicente Bogo. Três dias antes da convenção, FHC telefonou para o presidente do PSDB gaúcho, Antônio Hohlfeldt, e pediu que ele transmitisse às bases seu interesse em preservar a aliança com Britto, incluída dentro de uma ‘‘estratégia nacional’’.
No dia da pré-convenção, a Executiva nacional dos tucanos publicou ‘‘a pedido’’ nos jornais de Porto Alegre para afirmar ‘‘não ser oportuno’’ o PSDB lançar candidatura própria. Bogo não quis dar entrevista após a divulgação do resultado, mas o coordenador de sua pré-candidatura, Hermes Zanetti, disse que o encontro de ontem não revelou uma vontade majoritária do partido. ‘‘Nenhuma das articulações obteve maioria absoluta’’.
Zanetti disse que houve ‘‘pressões’’ do governo federal e estadual sobre os delegados, o que teria determinado a mudança de voto por parte de alguns deles. Ele disse que o grupo de Bogo, que esperava ganhar por mais de 30 votos de diferença - a idéia de candidatura própria tinha sido vencedora nas reuniões dos diretórios municipais -, fará avaliações esta semana e não será conivente com eventuais irregularidades, como suposta compra de voto, que possam ter ocorrido. ‘‘Somos do PSDB que nasceu em nome da ética’’, declarou Zanetti.
O presidente regional do PSDB, que abriu o voto em favor da coligação na pré-convenção, disse que as pressões que ocorreram ‘‘fazem parte do jogo político’’. Hohlfeldt disse, porém, que não toleraria ‘‘ameaças e compra de votos’’. Segundo ele, o PSDB reivindica pelo menos duas secretarias de Estado. O dirigente disse que o governador assumiu o ‘‘compromisso’’ de ampliar a participação do PSDB na administração.
O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), participou ontem de seu primeiro ato de campanha, um dia depois de ter anunciado que será candidato à reeleição. O PSDB e movimentos ligados ao partido alugaram 300 ônibus para levar cerca de 10 mil pessoas à Praia Grande, onde Covas participou do encerramento do 42º Congresso da Associação Paulista de Municípios (APM).
O ato se transformou em um comício tucano. A vinda de Covas levou os organizadores a montar um palanque do lado de fora do pavilhão de exposições do evento. A legislação eleitoral proíbe que os partidos façam campanha antes das convenções para a escolha dos candidatos, marcadas para junho. Covas foi o único dos pré-candidatos ao governo do Estado a usar o palanque. Paulo Maluf (PPB), Marta Suplicy (PT) e Orestes Quércia (PMDB) não tiveram essa oportunidade: fizeram suas saudações aos congressistas dentro do pavilhão de exposições.
O palanque montado para Covas estava enfeitado com bexigas azuis e amarelas, que são as cores do PSDB. Os cabos eleitorais tucanos carregavam faixas e bandeiras em defesa da reeleição do governador. Três aviões sobrevoaram o tempo todo o local com faixas que diziam ‘‘Covas mais uma vez’’ e ‘‘Dá-lhe Covas’’. Várias pessoas usavam chapéus e bonés amarelos com propaganda de Covas.
Das sete pessoas que discursaram antes do governador, 5 defenderam a sua reeleição, entre elas, o futuro ministro da Saúde, José Serra, e o vice-governador do Estado, Geraldo Alckmin. Covas iniciou seu discurso tentando descaracterizar a natureza eleitoral da manifestação. Disse que estava no ato como governador e não como candidato e chegou a louvar o caráter pluripartidário da APM.
Mas logo deu um tom de campanha a seu discurso: falou de suas realizações e várias vezes fez menções a ‘‘governo sério’’ e ‘‘governos malandros’’. Em nenhum momento Covas disse quem seriam os governantes ‘‘malandros’’. ‘‘O governo sério procura justiça. O governo malandro é procurado pela Justiça’’, afirmou em seu discurso.
O principal adversário de Covas no Estado é o ex-prefeito Paulo Maluf, que está sendo processado no caso dos precatórios. Na entrevista que deu depois do evento, o governador se referiu à investigação do Ministério Público sobre a compra de frangos durante a gestão de Maluf na Prefeitura de São Paulo (1993-96). Boa parte do secretariado de Covas participou do evento e ficou a seu lado no palanque. Mas, antes do discurso do governador, os secretários desceram porque a estrutura ameaçava desabar.
Também havia uma série de candidatos a deputado federal e estadual, prefeitos e vereadores. Em seu discurso, Covas falou sobre as áreas de educação, habitação, transporte urbano, saúde e atendimento à população. Duas vezes foi interrompido pelos refrões ‘‘Dá-lhe Covas’’ e ‘‘Um, dois, três, Covas outra vez’’ gritados pela platéia.

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