FHC pressiona e manda acusado deixar liderança
Depois de uma determinação do presidente Fernando Henrique Cardoso, o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF) afastou-se ontem do cargo. Acusado de participar na violação do sigilo do painel eletrônico na votação que cassou o ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF), a situação de Arruda ficou insustentável, forçando-o a deixar o cargo. A decisão do Planalto em afastá-lo da liderança aconteceu depois de uma avaliação feita, na noite de quarta-feira, de que havia sido sofrível a defesa de Arruda no plenário do Senado, naquele dia.
Ainda na noite da quarta-feira, o presidente conversou com Arruda sobre a impossibilidade de ele permanecer no cargo. O próprio presidente Fernando Henrique chegou a confidenciar para alguns interlocutores de que não gostou da defesa feita pelo seu líder do governo. Fernando Henrique comentou que ficou impressionado com a afirmação feita pela ex-diretora do Prodasen, Regina Borges, e reproduzida no plenário pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), de que jurava pela memória de seu filho para garantir que a ordem de violar o sigilo do painel eletrônico foi dada por Arruda.
Fiz minhas reflexões e acho que neste momento é importante que a liderança do governo seja exercida em tempo integral, o que não posso fazer, justificou Arruda, informando seu afastamento temporário do cargo. A liderança do governo passou a ser exercida pelo senador Romero Jucá (PSDB-RR).
O Planalto avaliou que o afastamento de Arruda ocorreu com um dia de atraso. Segundo colaborador político do presidente, o clima era de constrangimento com a relutância do senador Arruda em entregar o cargo, na quarta-feira, como havia sido combinado com o próprio presidente Fernando Henrique no encontro no Palácio da Alvorada. Não houve nenhuma pressão, rebateu Arruda. (AE)





