O governo já traçou uma estratégia para tentar convencer deputados e senadores a aprovarem medidas de ajuste fiscal no Congresso, que garantam uma economia de R$ 28 bilhões para os cofres públicos. A idéia do presidente Fernando Henrique Cardoso é ressuscitar um projeto desenvolvido quando era ministro da Fazenda de Itamar Franco e responsável pela aprovação da URV, que deu origem ao real, em meados de 94: todos os negociadores do governo no Congresso devem ter em mãos uma planilha detalhada explicando quanto representa, em recursos, cada emenda proposta pelo governo e a meta a ser alcançada. Dentro desse valor-limite, que será apresentado a quem quiser conhecer e analisar os dados, os governistas poderiam negociar.
A preparação da planilha para ser mostrada aos parlamentares está sendo preparada, por determinação do presidente ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Eduardo Graeff, pelo secretário- executivo da Fazenda, Pedro Parente e o ministro do Planejamento, Paulo Paiva. Fernando Henrique quer esses dados prontos na próxima semana, para dar transparência às discussões do ajuste no Congresso, que o governo pretende começar a discutir na terça-feira.
Assessores do presidente dizem que essa proposta será uma espécie de reedição do plano de estabilização, com a criação da URV, que recordam ter sido uma experiência bem sucedida. ‘‘Isso funcionou muito bem’’, recordou-se o presidente. Com os dados todos à disposição, defendem os governistas, todos teriam uma visão de conjunto e saberiam como negociar os valores, sem perder o objetivo principal que é cortar os R$ 28 bilhões. A área técnica do governo entrega as planilhas aos articuladores do Planalto no início desta semana.
A partir de terça ou quarta-feira, o governo espera começar a votar um conjunto de Medidas Provisórias ainda relacionadas com a reforma da Previdência e que fazem parte do ajuste fiscal. O aumento da alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) deverá ficar para depois do dia 17 de novembro.
O governo quer evitar ainda que aconteça, como ocorreu na votação dos três últimos destaques da Previdência, quando os ruralistas exigiram renegociação de suas dívidas. A renegociação já havia sido acertada muito antes das eleições e a área econômica, congestionada com a preparação do ajuste fiscal, esqueceu do assunto e acabou criando um problema para o Planalto, que ele não queria reviver agora: parecer que estava reiniciando uma negociação em troca de votos.
O Planalto quer evitar que ‘‘mancadas’’ como essa sejam repetidas para evitar novos constrangimentos para o governo que gostaria de ter, definitivamente, apagado essa imagem. Assessores do presidente fazem questão de justificar que a reivindicação da bancada ruralista era justa e já havia sido acertada anteriormente. Mas, se ressentem da forma como tudo aconteceu.Arquivo FolhaNo ataqueO presidente Fernando Henrique usará projeto desenvolvido quando era ministroTânia Monteiro
Agência Estado

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