Enquanto os candidatos da base aliada engalfinham-se nos momentos finais da campanha pelo comando do Congresso, os cardeais dos partidos governistas e o Palácio do Planalto já trabalham o ‘‘day after’’ da eleição para evitar o pior: uma crise de governabilidade que comprometa os dois últimos anos de mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. Uma tarefa difícil para o ‘‘bombeiro’’ Fernando Henrique, que entrou em ação na semana passada, em meio a pressões, traições e até chantagens de aliados que guerreiam internamente, em suas legendas, e entre si, por uma fatia maior de poder no Executivo federal.
A pressa do presidente tem razões concretas. ‘‘Estamos conversando muito, porque o day after já está em curso na base aliada’’, resume um ministro político. Preocupado com os governistas que ameaçam ir para a oposição em caso de derrota de seus candidatos, Fernando Henrique recebeu, no Palácio da Alvorada, tanto o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), como o da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). A ofensiva é para manter aberto um canal de diálogo com os parceiros da aliança, que lhe facilite recompor sua base de sustentação seja qual for o resultado da briga no Congresso.
A dificuldade adicional é que PFL, PMDB e até mesmo o PSDB, vivem o risco iminente de rachas internos e movimentam-se de olho nas eleições de 2002. No PFL, o lançamento da candidatura do presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen (SC) é fruto da queda de braço entre a facção do partido comandada por ele e o vice-presidente Marco Maciel e o grupo liderado por ACM.
O Palácio do Planalto festejou discretamente a disposição de Bornhausen para entrar na corrida sucessória do Senado. Interlocutores do presidente chegaram a confidenciar a preferência por Bornhausen, apontado como parceiro muito mais ‘‘confiável’’ do que Jader Barbalho.
‘‘Se o Bornhausen entrar no jogo e perder, será a derrota mais cara para o presidente’’, resume um dirigente do PFL. Para Bornhausen, a derrota pode ser convertida em vitória interna, desde que saia fortalecido pelos 21 votos do partido.

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