O candidato do PPS à presidência, Ciro Gomes, disse ontem em Ribeirão Preto (SP), onde participa de debate com empresários locais, que o governo FHC preparou uma ‘‘bomba-relógio’’ que está prestes a explodir nas próprias mãos do presidente, se ele for reeleito. ‘‘O governo elevou uma dívida de US$ 61 bilhões, feita ao longo de 500 anos, para US$ 342 bilhões, em três anos. E isso vai estourar em alguém, cedo ou tarde’’, afirmou.
Segundo ele, o presidente Fernando Henrique errou quando se rendeu à ‘‘lógica da reeleição’’. ‘‘Ele ficou a mercê de conchavos políticos e econômicos para salvaguardar sua plataforma política, o real, abandonando a estratégia da agenda da reforma fiscal, que seria mais importante para o País’’, disse, explicando que este foi o motivo pelo qual rompeu com o governo.
Para o candidato, o panorama econômico atual apresenta dois cenários previsíveis: o primeiro, é o governo ‘‘continuar no mancho da economia’’, reprimindo o consumo e fazendo pequenos ajustes para evitar uma quebra drástica da atual moeda. Isso, em sua opinião, pode elevar ainda mais a crise social, ampliando o índice de desemprego. O segundo cenário previsível, segundo ele, ocorreria caso estourasse uma evasão de capitais estrangeiros, o que desvalorizaria o real repentinamente, e obrigaria o governo a um ‘‘ajuste selvagem’’.
Seguindo o discurso ‘‘não digam que não avisei’’, Ciro afirmou que o atual cenário econômico já havia sido previsto por ele, em 95, ao deixar o governo. Ele afirma que, se eleito, num primeiro instante ‘‘esqueceria a dívida’’. ‘‘Não defendo o calote, mas é preciso acertar o fluxo da economia, antes de pensar em qualquer outra coisa’’, afirmou.
Ciro disse, ainda, que o atual sistema utilizado pelo governo para ‘‘segurar o real’’ favorece somente a agiotas. ‘‘Para não elevar os juros ainda mais, o governo passou a mexer nos tributos sociais. Isso fez com que os agiotas - que nada contribuem com o governo - sejam os que mais ganham com a política econômica. Esse é um capitalismo fernandohenriqueano, onde o lucro é privado e o prejuízo, socializado’’, completou.
O candidato do PPS também fez duras críticas à atuação do governo na área da Saúde. Segundo ele, o ministro José Serra é apenas um ‘‘xerife’’ que faz papel de ‘‘bobo da corte’’, ao tentar fiscalizar a invasão de remédios falsos no mercado. ‘‘O certo era ter dado o dinheiro necessário para que a Vigilância Sanitária fizesse um trabalho de fiscalização antes que os remédios falsos chegassem no mercado, mas esse setor está quebrado, já que o governo só repassou 20% do orçamento previsto para a Vigilância Sanitária neste ano’’, disse.
Ciro descartou a possibilidade de uma unidade entre as esquerdas contra o governo FHC, numa eventual disputa no segundo turno. ‘‘A união entre as esquerdas deveria partir de uma plataforma em comum, e isso nós tentamos antes de os nomes serem lançados, mas ninguém aceitou’’, disse. Para ele, o PT erra ao ter como principal plataforma as críticas ao Plano Real. ‘‘Isso só aperfeiçoa a tática do governo, que faz com que as pessoas em geral votem com medo de perder o que já conquistaram, a falsa estabilidade econômica’’, disse.

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