FHC prepara ataque ao déficit público
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sábado, 03 de outubro de 1998
Eliane Cantanhêde Agência Folha 
O presidente Fernando Henrique Cardoso tem pressa. Quer sair da campanha com um recorde de mais de 35 milhões de votos e rapidamente criar mecanismos para combater um dos maiores inimigos do seu governo: o déficit público, que chega a quase 8% do PIB. A equipe econômica prepara medidas em duas direções: cortes no Orçamento e aumento de receita, possivelmente com novos impostos ou elevação de alíquotas de impostos já existentes.
Para isso, FHC precisa do mesmo Congresso que lhe garantiu o direito de disputar a reeleição e quebrou monopólios estatais, mas não concluiu as reformas da Previdência e a administrativa. Até por indefinição do próprio governo, nem sequer chegou a discutir a terceira ponta: a reforma tributária, para fundir impostos e redefinir a distribuição de tributos entre União, estados e municípios.
O cronograma de votações foi traçado previamente pelo Planalto e depois avalizado pelos presidentes do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL), e da Câmara, Michel Temer (PMDB). Eles querem capitalizar politicamente a votação de FHC para reunir em Brasília deputados e senadores da atual legislatura e começar a votar as reformas até janeiro. É certo que haverá convocação extraordinária em dezembro e janeiro.
Há uma forte tendência, principalmente no Planalto, de aproveitar essa onda de votações no final deste ano para votar uma outra emenda constitucional: a da miniconstituinte em 1999. Com quórum simplificado, FHC tentaria aprovar nos seis primeiros meses do eventual segundo mandato as medidas complementares às reformas. Entraria aí, também, a reforma política.
A premissa é que os governos sempre são politicamente mais fortes no início e que o momento de votar é agora e no primeiro semestre. A dúvida é se a premissa vale, também, no caso da reeleição, pois o governo estaria apenas continuando. A coligação de FHC inclui PSDB, PFL, PPB, PTB e PSD. Apesar de não formalmente coligado, o PMDB na prática o é. Deve manter, inclusive, boas vagas no ministério de um segundo mandato.
Juntos, eles conseguem aprovar a maior parte dos projetos do Executivo. O problema é que quatro anos de governo e uma sequência de votações polêmicas geraram uma forte dissidência dentro dos partidos aliados. Negociação com a oposição é basicamente ideológica. Com dissidência, costuma ser fisiológica.


