Depois de perder o apoio do PTB e os quatro e meio minutos de propaganda eleitoral gratuita do partido no rádio e na televisão, o presidente Fernando Henrique Cardoso corre o risco de ficar também sem o PMDB e os 20 minutos a que a legenda terá direito durante 45 dias de campanha. Fracassou a articulação da cúpula governista junto ao diretório nacional para destituir o presidente rebelde do partido, Paes de Andrade (CE), e garantir uma convenção nacional tranquila em favor da parceria eleitoral com o candidato Fernando Henrique. Paes de Andrade trabalha agora para convencer o senador José Sarney (PMDB-AP) a se lançar candidato à Presidência pelo partido.
Sarney disse que o tempo é curto para articular sua candidatura e que ele não lançará seu nome apenas para marcar posição. Mas fez uma ressalva: ‘‘Ainda temos alguns dias e, em política, sempre é possível que o impossível aconteça’’. No caso de Sarney ficar de fora, o senador Roberto Requião afirmou ontem que lançará sua candidatura à Presidência, para exame dos convencionais do PMDB.
‘‘O jeito agora é deixar Paes de Andrade na presidência, para tentar salvar a coligação’’, admitiu, resignado, o senador Iris Rezende (PMDB-GO), ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique, diante do encerramento da reunião do diretório sem que o plenário, repleto de governadores e dirigentes estaduais, tivesse votado a prorrogação do mandato de Paes até setembro. (AE)

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