Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem a interlocutores que poderá manter nos cargos todos os atuais ministros, enxugando apenas as secretarias de Estado. ‘‘Nunca ouvi do presidente uma palavra sequer sobre reforma ampla’’, disse um colaborador próximo do presidente. ‘‘A reforma será mínima’’, confirmou uma liderança do PFL. O partido do presidente, o PSDB, cobra uma mudança no perfil da equipe sob o risco de Fernando Henrique perder a credibilidade.
Na última terça-feira, em jantar para comemorar o seu aniversário, o ministro das Comunicações Pimenta da Veiga, do PSDB, alertou: ‘‘Existem duas alternativas: ou se faz a reforma e muda o governo, mesmo correndo o risco de perder apoio, ou então ele se arrisca a perder credibilidade’’, afirmou. Pressões no mesmo sentido foram feitas pelos governadores de São Paulo, Mário Covas, e do Ceará, Tasso Jereissati’’, ambos tucanos.
‘‘Quem decide o tamanho da reforma é o presidente’’, afirmou um interlocutor de Fernando Henrique. Nos últimos dias, o presidente já se reuniu com o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, e o vice-presidente Marco Maciel. Ontem ele almoçou com Jereissati para discutir o assunto.
O formato da reforma pensada pelo presidente, por enquanto, deverá atingir os secretários Ovídio de Ângelis (Políticas Regionais), Wanda Engel (Ação Social), Eduardo Graeff (Relações Institucionais), Andrea Matarazzo (Comunicação Social) e José Botafogo Gonçalves (Câmara de Comércio Exterior). ‘‘Politicamente, a mudança que afeta é a do de Ângelis, que deve sair do governo. Como ele é do PMDB goiano, o partido está procurando algum tipo de compensação’’, analisou um dirigente do PFL. ‘‘O resto que está saindo na imprensa é insatisfação do PSDB.’’
As declarações de Pimenta da Veiga, publicadas ontem, irritaram os aliados do presidente. ‘‘Este rapaz só tem causado problemas com as suas futricas paroquiais. Ele nada faz no governo a não ser criar problemas políticos e telefônicos’’, afirmou o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), referindo-se a Pimenta. Para Geddel, ‘‘o PMDB está conversando com lideranças tucanas responsáveis sobre projetos futuros e respaldo ao presidente, tais como os deputados Artur Virgílio (líder do governo no Congresso), Arnaldo Madeira (líder do governo na Câmara), Aécio Neves (líder tucano na Câmara) e o governador Mário Covas’’.
De acordo com o peemedebista, ‘‘é falacioso o argumento de se resguardar a autoridade do presidente retirando dele a prerrogativa de nomear e demitir livremente seus ministros’’. ‘‘O problema do governo não está nos nomes do ministério, mas nas posturas que são adotadas’’, disse.
A medida em que Fernando Henrique emite sinais de que não pretende montar um segundo ministério, os atuais ministros demonstram alívio. ‘‘O presidente tem manifestado apreço ao meu trabalho e eu estou disposto a ficar. A minha atuação no ministério ainda requer uma maturação’’, disse ontem o ministro do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio, Celso Lafer, tido inicialmente como um dos mais fortes candidatos a abandonar o primeiro escalão do governo.

mockup