FHC planeja mudanças na equipe ministerial
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domingo, 07 de janeiro de 2001
Cláudio Carneiro Agência Estado De Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso vai limitar ao máximo as mudanças a curto prazo em seu Ministério. Além da saída do ministro de Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, marcada para o dia 15, outras mudanças estariam sendo planejadas. Desgastado com as denúncias de corrupção no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, já manifestou por mais de uma vez ao presidente seu desejo de deixar o cargo. Fernando Henrique pediu-lhe calma e estuda uma solução para aproveitar Padilha em outro posto.
Eliseu Padilha já confidenciou a colegas de governo seu desconforto por ter virado o alvo das denúncias contra o DNER. Mais ainda, sente-se magoado por não ver nenhum aliado levantar a voz para defendê-lo, afirmou uma fonte palaciana. O presidente sabe do desejo de Eliseu de deixar o Ministério, mas o conteve e lhe disse ainda que não vê, no momento, quem poderia substitui-lo dentro do PMDB, acrescentou essa mesma fonte.
Em defesa de Eliseu Padilha, auxiliares de Fernando Henrique Cardoso lembram que o ministro, em quase quatro anos de gestão, promoveu mudanças que deram mais transparência ao Ministério, como colocar à disposição na internet todos os pagamentos de obras realizadas na sua área e reduzir para menos de R$ 20 milhões a autorização de obras emergenciais (sem licitação pública), que nas duas administrações anteriores chegaram a R$ 350 milhões.
Uma hipótese levantada seria acomodar Eliseu Padilha num futuro Ministério da Habitação, que substituiria a atual Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano, ocupada pelo peemedebista Ovídio de Ângelis. A criação deste Ministério tem sido cogitada há meses, já que o presidente tem a intenção de incrementar com recursos e dar mais visibilidade ao setor de habitação em seus dois últimos anos de governo. De qualquer maneira, a troca do atual secretário de Desenvolvimento Urbano será discutida juntamente com o PMDB.
Pelo menos para três aliados políticos, o presidente repetiu nos últimos dias que só vai mexer em sua equipe caso veja necessidade de natureza política, o que até agora não vê. A interlocutores, o presidente já manifestou que não pretende usar cargos de seu Ministério para solucionar a crise na base aliada causada pela sucessão na Câmara e no Senado. Mas não é o que pensam aliados políticos do presidente que estão diretamente envolvidos na busca de uma saída para a crise.
Para um dirigente do PMDB, em caso de necessidade de acomodação política dos derrotados nas eleições das Mesas da Câmara e do Senado, Fernando Henrique deveria fazer uma compensação imediata. A essa altura não se faz nada sem uma solução para a sucessão da Câmara, concordou um dirigente tucano que apóia a candidatura do líder Aécio Neves (PSDB-MG) para a sucessão do deputado Michel Temer.
Para a pasta das Relações Exteriores, aumenta a cotação do embaixador em Londres, Sérgio Amaral. Ex-porta-voz da Presidência da República e muito afinado com o presidente, Amaral esteve na semana passada no Palácio do Planalto, mas tratou de fazer com que sua presença não chamasse a atenção dos demais. Quase impossível. Ele é candidatíssimo à vaga de Lampreia, afirmou uma fonte do Palácio. A um aliado político, em conversa dias atrás, Fernando Henrique não poupou elogios a Sérgio Amaral: É o que há de melhor, disse o presidente ao seu interlocutor.
O anúncio do substituto do ministro Lampreia, entretanto, só será feito por Fernando Henrique na volta de sua viagem à Ásia, que se encerra dia 25. Como já está acertado que Lampreia deixa o cargo no dia 15, por decisão pessoal, o secretário-executivo do Itamaraty, embaixador Seixas Correia, acompanhará Fernando Henrique à viagem como ministro interino.


