FHC pede rapidez aos líderes aliados
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quarta-feira, 14 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
Agência Estado
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Pé na tábuaFernando Henrique (ao fundo) durante reunião com os líderes aliados: Votação assim que possívelO presidente Fernando Henrique Cardoso pediu ontem aos líderes aliados ao governo, durante reunião realizada no Palácio do Planalto, que votem assim que possível, em plenário, a emenda constitucional da reforma da Previdência Social.
Ele deixou a definição de datas para os líderes, que saíram do encontro procurando demonstrar confiança na possibilidade de promover o primeiro turno de votação ainda durante o período de convocação extraordinária do Congresso.
A nossa meta é a de votar a reforma em plenário na convocação, disse o líder do PSDB, Aécio Neves (MG). Mas, se conseguirmos aprovar a proposta na comissão especial nesse período, já será um passo importante, até porque disporemos de mais uma semana para a votação em plenário entre o fim da convocação e o carnaval, admitiu.
O deputado José Lourenço (PFL-BA) foi eleito ontem presidente da comissão especial que vai analisar a emenda constitucional da reforma previdenciária. Ele teve 20 votos entre os 31 integrantes da comissão e, logo após a eleição, indicou o vice-líder do PSDB, deputado Arnaldo Madeira (SP), para o cargo de relator da reforma, cumprindo acordo feito na base aliada.
Começa a correr hoje o prazo de dez sessões da Câmara - equivalente a aproximadamente duas semanas - para a apresentação pelos deputados de emendas ao texto da reforma. Uma vez concluído o prazo, no fim do mês, Madeira poderá apresentar o parecer à comissão. A votação do parecer, segundo o calendário traçado pelos líderes aliados, deverá ocorrer na primeira semana de fevereiro.
Após o encontro com o presidente, o líder do PSDB lembrou que existem condições técnicas para que o primeiro turno de votação da reforma ocorra como previsto anteriormente, em 11 de fevereiro, uma semana após a provável aprovação da proposta na comissão especial instalada ontem. Mas a polêmica em torno da reforma pode adiar os planos dos governistas. O líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), admitiu implicitamente, durante reunião da comissão, a realização somente em março do primeiro turno de votação da reforma. É uma idéia, afirmou.
Até lá, o comando governista terá de conquistar adeptos para a reforma dentro da própria base aliada. O líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), lembrou ontem que o partido não se comprometeu até agora com a aprovação integral do texto da reforma aprovado pelos senadores, que evitaria a necessidade de se enviar a matéria mais uma vez ao Senado. Esta reforma tem características ainda mais complexas do que as da reforma administrativa, comparou. Eu não tenho convicção de que se aprovará pura e simplesmente o texto do Senado, acrescentou.
Para que a reforma conquiste mais adeptos entre os deputados, Aécio Neves sugeriu ontem aos demais líderes e a Fernando Henrique que se promova uma campanha de esclarecimento sobre a proposta. Os aposentados precisam saber que não serão prejudicados com a reforma da Previdência, sustentou o líder do PSDB.


