FHC pede na Suíça uma nova ordem internacional
O presidente Fernando Henrique Cardoso e o megainvestidor George Soros cobraram ontem, em Davos (Suíça), um novo Bretton Woods, o acordo que criou a ordem internacional, após o fim da 2ª Guerra Mundial. Os mercados, por si só, não vão dar conta disso, disse FHC, referindo-se à crise asiática e seus desdobramentos.
A tese de que o mercado tende a levar as coisas ao equilíbrio pode se aplicar a bens e serviços comuns, mas não aos mercados financeiros, que são inerentemente instáveis, reforçou Soros. Eles participaram de mesa-redonda na edição-98 do Fórum Econômico Mundial destinada a discutir as carências do sistema de livre mercado.
Soros repetiu sua conhecida crítica ao que chama de fundamentalistas do mercado - os que têm uma fé cega na capacidade do mercado de fazer as coisas certas. FHC também bateu na mesma tecla: Seria um erro acreditar que mapear o caminho à frente para qualquer sociedade possa ser deixado às forças de mercado, já que ele tem muito pouco a dizer sobre valores éticos.
Boa parte da sessão se resumiu ao debate sobre a necessidade de novos mecanismos de controle do sistema financeiro. FHC defendeu sua antiga tese de que é preciso uma regulamentação para prevenir ou ao menos minimizar o impacto das crises. Mas, como sabia que o auditório era majoritariamente de homens de negócio, avessos a controles, concedeu: É preciso tomar cuidado para não jogar fora a criança junto com a água do banho - não criar uma regulamentação que sufoque o mercado.
Soros e FHC divergiram sobre a iminência de um novo Bretton Woods. O presidente festejou o fato de que um consenso está para se formar sobre a necessidade de instrumentos regulatórios para o sistema bancário. Soros, em entrevista coletiva posterior, disse que os governantes em geral estão no momento ocupados demais em apagar incêndios para poderem pensar a mais longo prazo.
Para FHC, o prazo é curto. Ele queixou-se de que todo o seu esforço para reconstruir o país e abri-lo ao investimento externo não impediu não digo um ataque, mas uma pressão sobre a moeda brasileira. O presidente culpou a falta de informação dos investidores internacionais por tal ataque, no pressuposto de que não havia razões objetivas para que o real fosse alvejado na esteira da crise asiática.





