O presidente Fernando Henrique Cardoso pediu ontem o fim das ‘‘tricas e futricas’’ para que todos se unam em torno dos interesses maiores do País. ‘‘Que o povo respalde quem deseje’’, afirmou o presidente, em Brasília.
Tentando desvincular as declarações de Ilmar Galvão do Palácio do Planalto, Fernando Henrique afirmou, no fim da tarde de ontem, por intermédio do porta-voz Sérgio Amaral, que este ‘‘é um assunto da esfera do Tribunal Eleitoral’’. Amaral explicou que o presidente, ao dizer que tem reiterado no Brasil a importância de, nos assuntos internos, se deixar de lado as tricas e futricas, não se referia a ninguém em particular.
Questionado sobre se o apoio à reeleição de Fernando Henrique por Galvão não atrapalharia o processo eleitoral, o porta-voz insistiu que ‘‘o presidente não tem comentado declaração de presidente de um tribunal , sobre assunto da esfera do tribunal’’. Diante da insistência dos jornalista de que aquele assunto não era da esfera do TSE, Amaral indagou: ‘‘Eleição não é assunto do tribunal eleitoral?’’ Ele completou: ‘‘Sobre isso, o presidente não tem nada a acrescentar.’’
Sobre as declarações dos candidatos do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e do PPS, Ciro Gomes, a presidente, de que a eleição de Fernando Henrique no primeiro turno ameaçava a soberania nacional, o porta-voz disse: ‘‘Essas são afirmações de campanha’’.
Scalco O coordenador político da campanha do presidente FHC à reeleição, Euclides Scalco, disse que a declaração conjunta feita ontem pelos candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PPS) ‘‘não acrescenta nada à campanha eleitoral’’. Segundo Scalco, os dois reproduziram as mesmas críticas e queixas que já vinham fazendo nos seus programas do horário eleitoral gratuito. ‘‘É um gesto legítimo na campanha eleitoral que tem por objetivo criar um fato novo, mas não apresentou nenhuma novidade’’, afirmou. Segundo Scalco, a estratégia do comando da campanha não será modificada em reação a essas declarações.

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