FHC pede calma para enfrentar crise
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de agosto de 1998
Marccio W. Varella 
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem em Maringá que as medidas que o governo está tomando para se proteger das consequências da crise russa vão afetar apenas os bolsos dos investidores. Estamos enfrentando a crise com muita tranquilidade, tomando as medidas necessárias. Não é pacote, não. Não, nada de sustos. As medidas estão sendo tomadas progressivamente como é do nosso estilo. Não é nada que afete o povo brasileiro; só vai afetar os investidores, disse o presidente a cerca de 100 jornalistas.
Cardoso disse que a crise não afeta o Brasil, afeta o mundo todo. Não é como foi a crise de outubro. O mundo todo está sofrendo as consequências desse processo que me parece bastante histeria coletiva. Isso vai implicar numa mudança de orientação dos líderes mundiais, para colocarem novas bases em todo esse financiamento internacional, o que leva algum tempo.
O presidente elogiou a equipe econômica e disse que a população pode ficar tranquila porque o país tem muitas reservas. A nossa equipe econômica é de primeira ordem, nós temos experiência e muitas reservas. O Malan e o Gustavo Franco já enfrentaram situações semelhantes, aliás, diferentes porque mais difíceis, como a crise da Ásia, afirmou Cardoso.
A chegada do presidente ao Aeroporto Gastão Vidigal de Maringá estava prevista para as 17h30, mas ele atrasou em meia hora. Desde as 16 horas centenas de pessoas se deslocaram até o aeroporto, cerca de três quilômetros distante do centro da cidade. Um antigo vendedor de pipocas do centro da cidade, Pedro Gusmão, exclamou: Uai, só falta o bispo, referindo-se ao fato de que toda a cidade parecia estar se dirigindo ao aeroporto. A Polícia Militar calculou em dois mil o número de pessoas presentes à recepção do candidato-presidente. O governador Jaime Lerner (PFL), com início de pneumonia, ficou sentado, descansando por quase 90 minutos à espera do presidente. O ex-governador Álvaro Dias (PSDB), candidato ao Senado e o irmão, o senador Osmar Dias (PSDB), ficaram distantes de Lerner, que tinha ao seu lado o presidente da Assembléia Aníbal Khouri (PFL).
Por um momento, Lerner e Álvaro Dias se cumprimentaram, apenas para as fotografias e imagens da televisão. Um pouco mais tarde, Dias garantiu que não subiria no mesmo palanque de Lerner. Os dois mais o ex-governador Paulo Pimentel negaram o acordo que teria sido feito para a formação da chapa à reeleição. Pimentel chegou a dizer, entusiasmado: Mas que acordo? Eu apóio todos eles.
Cardoso cumprimentou um por um e depois dirigiu-se a um chiqueirinho cercado por fita verde-amarela destinado aos jornalistas. O presidente falou duas vezes aos repórteres.


