FHC pede ajuda para defender o real
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sexta-feira, 31 de outubro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
Depois de afirmar que só Deus sabe quando os juros baixarão, o presidente Fernando Henrique Cardoso fez ontem um apelo para que as oposições se unam em torno da defesa do real e do programa de desenvolvimento econômico para que o País possa enfrentar a crise provocada pela queda generalizada das bolsas de valores no mundo. Temos que nos entender e reitero que esse entendimento, quanto mais amplo, incluindo as oposições, melhor. O presidente negou que o Brasil corra o risco de recessão.
Segundo o presidente, há momentos, neste País, que temos que pensar com horizontes mais largos; não podemos pensar apenas nos nossos interesses pessoal, eleitoral, partidário, sectário ou regional. Fernando Henrique disse ainda que há momentos que temos que estar unidos para defender o salário do trabalhador, o salário da classe média, o emprego, isto é o real.
FHC pediu às oposições que separem os eventuais interesses eleitorais dos interesses do povo, que é o emprego, a prosperidade e o crescimento da economia. Para o presidente, o povo brasileiro não tem que se preparar para uma recessão, mas para sair desse abalo momentâneo do sistema financeiro. Ele disse que, lançando mão de parte das reservas, o governo conseguiu manter o ataque especulativo contra o real.
De acordo com o presidente. é preciso retomar as condições para reduzir os juros, assim que seja possível. Ele não quis fazer previsões para a mudança do quadro. Nesse momento, temos que estar atentos ao que acontece no mundo, aos desdobramentos. Fernando Henrique disse que não existe aumento de desemprego, porque a economia real teve um abalo momentâneo e o Brasil tem potencial para atrair capital e investimentos. O presidente afirmou que temos que lutar para sair disso melhor, porque, com mais investimentos, não haverá desemprego.
O presidente reconheceu que, no mundo todo existe um movimento de fuga de capitais, de fuga das bolsas, daqui e dali. Ele advertiu, no entanto, que as bolsas são instrumento normal de funcionamento do sistema econômico e não precisamos transformá-las em nossas adversárias. Ele chamou a atenção para o fato de que o programa de desenvolvimento e as privatizações no Brasil precisam ser mantidas. Precisamos manter a confiança em nós e no próprio País.
Ao comentar declaração do ministro do Planejamento, Antônio Kandir, que assumira que o País teria um crescimento mais lento, Fernando Henrique afirmou que não podemos imaginar que um fato dessa natureza não tenha consequências, mas o que estou dizendo é que, apesar das consequências, temos que nos preparar para sair e não cair nelas.
Fernando Henrique disse que, com o apoio da sociedade, o governo vai manter a estabilidade do real. Recebi telefonemas dos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL/BA) e José Sarney (PMDB/AP), que estão nos Estados Unidos, nos apoiando. Para Fernando Henrique é importante que fiquemos unidos e não haja disputas entre o Congresso e o Executivo. O presidente disse acreditar que serão aceleradas as votações das reformas e o programa de privatização, porque não há nada de extraordinário na economia real, já que o momento é positivo, de expansão. Ele disse que ainda ontem recebi investidores estrangeiros, que estão confiantes no Brasil.
O presidente disse que a redução da taxa de juros depende até do nosso estado de espírito. Ao comentar a queda de vendas de eletrodomésticos nos últimos dois dias, Fernando Henrique foi enfático. Um, dois ou três dias?, indagou. Vamos apostar no futuro; venderam bem o ano todo e agora temos que olhar para frente, o Brasil tem que ter confiança no seu futuro. Ao ser perguntado se aplicaria hoje seu dinheiro na poupança, Fernando Henrique brincou: Eu não tenho dinheiro sobrando. Indagado se o governo estava preparando uma maldade (pacote) que afetaria a população, o presidente rechaçou. Eu só gosto de bondade.
Acompanhado do ministro da Marinha, Mauro César Rodrigues, Fernando Henrique esteve onem no Campo de Instrução dos Fuzileiros Navais, onde assistiu a um desembarque anfíbio, a uma ação do grupo de retomada e resgate e a um desfile de dois mil fuzileiros. Segundo sua assessoria, ele passaria o fim de semana no centro de adestramento da Marinha, na Restinga de Marambaia, um local isolado no litoral sul fluminense.


