O presidente Fernando Henrique Cardoso pediu ontem o ‘‘esforço e a compreensão’’ dos brasileiros para que o governo consiga aprovar no Congresso as reformas constitucionais. ‘‘Preciso que o Congresso vote as reformas que permitirão acelerar o crescimento, diminuindo o endividamento do governo e, com isso, as taxas de juros’’, disse o presidente no pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão para comemorar os três anos do Plano Real. Foi praticamente o mesmo discurso que o presidente proferiu na abertura da Conferência Internacional para Integração e Desenvolvimento, no Hotel Transamérica, em São Paulo. É a minoria que impede as mudanças, não a maioria’’
Fernando Henrique pediu que as pessoas não acreditem quando alguém disser que a reforma da Previdência vai tirar direitos dos aposentados. ‘‘Você acha justo que 4.800 servidores públicos ganhem em média R$ 21 mil por mês?’’, argumentou. Ele defendeu a adoção de subtetos para Estados e municípios - proposta derrotada na Câmara - e avisou que o governo vai tentar corrigir isto no Senado. Ao citar a distorção salarial entre os servidores públicos, o presidente afirmou que ‘‘enquanto isso, a maioria ganha mal e o governo não tem recursos para dar-lhes aumento’’.
Fernando Henrique fez um balanço das ações do governo. Disse que ‘‘as estatíticas não mostram uma escalada do desemprego aberto’’ e citou vários projetos do governo para tentar reduzir o desemprego no País. Para o presidente, o problema do desemprego se restringe a algumas áreas, ‘‘indispensáveis para baratear a produção’’. Segundo Fernando Henrique, ‘‘por mais que a iniciativa privada e o governo façam, o setor industrial não dá mais conta de oferecer empregos na proporção da demanda’’. Argumentou que a redução do emprego se deu mais no eixo Rio-São Paulo, enquanto que a expansão da indústria no Sul.

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