FHC pede afastamento dos ministros
Agência Folha
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso determinou ontem à noite a todos os ministros que coloquem os seus cargos à disposição para que possa fazer uma reforma no ministério, que pode ocorrer entre hoje e amanhã. Em nota oficial de cinco linhas, divulgada às 19 horas, a presidência da República informou que, tendo em vista mudanças que serão feitas no governo, todos os ministros colocarão seus cargos à disposição do presidente.
O texto informa ainda que os ministros da Fazenda Pedro Malan, e da Defesa Élcio Álvares, estão mantidos nos cargos. O ato de FHC, ao definir a renúncia coletiva de seu ministério, tem mais um efeito político. Afinal, no regime presidencialista, cargos de confiança, como os de ministros de Estado, estão sempre à disposição do presidente da República.
O comunicado surpreendeu alguns ministros e aliados importantes do presidente. O ministro da Justiça Renan Calheiros que aparece na lista dos ministros que podem deixar o governo, não sabia da determinação presidencial até o início da noite.
Calheiros havia participado, à tarde, de uma solenidade no Palácio do Planalto, que contou com a presença de FHC. Logo depois desse ato no Planalto, o ministro da Justiça, sem citar nomes, disse que muita gente, a quem chamou de súcia (grupo de pessoas de má índole), está fazendo intriga na tentativa de enfraquecê-lo.
Lamentavelmente existe no Brasil muita gente corvejando (remoendo) que dividir é governar, mas, se o delírio dessa súcia prevalecer, a República provavelmente vai perder, afirmou Calheiros, numa referência às críticas do governador Mario Covas (SP), que defendeu sua saída do governo. O ministro da Justiça informou que, tão logo soube da nota presidencial, tomou a decisão de escrever sua carta colocando seu cargo à disposição do presidente. O mesmo fez o ministro das Comunicações Pimenta da Veiga.
Outro ministro cotado para sair do governo e que não sabia da decisão presidencial era o do Desenvolvimento, Celso Lafer. O da Educação, Paulo Renato Souza, que deve permanecer em seu ministério, também não tinha conhecimento da nota. O ministro dos Transportes Eliseu Padilha que está de férias nos Estados Unidos, não foi contatado por sua equipe para que fosse informado da determinação de FHC.
O primeiro ministro a acatar a decisão de FHC foi o da Casa Civil, Clóvis Carvalho. Segundo o Palácio do Planalto, não é necessário que os ministros encaminhem cartas ao presidente.
A dúvida entre os aliados do presidente era sobre a extensão da reforma. No Planalto, assessores informavam ontem à noite reservadamente que a renúncia coletiva pode ser um sinal de que a reforma poderá ser mais ampla do que se esperava.
Uma das possibilidades em discussão era a saída de Calheiros. Ele poderia ser substituído por um jurista ou mesmo pelo ministro Pimenta da Veiga (PSDB), também coordenador político. Pimenta da Veiga, amigo do presidente, desagrada aos partidos aliados, e poderia ser deslocado para outra função.





