FHC pede a derrubada do extrateto
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sábado, 12 de abril de 1997
Agência Estado de Itacoatiara, AM 
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que acredita que o Congresso vai ouvir a reação da opinião pública contra a emenda da reforma administrativa que permite que políticos e ocupantes de cargos de confiança possam acumular um salário de R$ 10,8 mil a uma aposentadoria no mesmo valor. O Congresso será sensível à demanda da sociedade, declarou. O presidente repetiu que é contra a concessão do teto extra. Não é possível discutir questão nacional em termos de vantagem pessoal, disse ele em uma crítica velada aos parlamentares que defendem suas aposentadorias.
Há momentos que a opinião pública deve prevalecer, recomendou o presidente, apelando em seguida para que, o Congresso vote, na íntegra o relatório do deputado Moreira Franco (PMDB-RJ). Não deve haver extrateto, insistiu, embora o governo tenha aceitado a proposta para garantir a aprovação em primeiro turno da reforma administrativa. Para o presidente, a proposta do governo é a do relator Moreira Franco e eu não posso ir além disso.
Fernando Henrique defendeu a conclusão, ainda este ano, da reforma administrativa, além de dar início à reforma política. Esta é a vontade do País e o Congresso está afinado com essa vontade, prosseguiu. Ele comentou que o ano que vem será um ano difícil para tais votações, alegando que o governo quer aprovar medidas infraconstitucionais.
As declarações do presidente foram dadas ao chegar em Itacoatiara, onde inaugurou terminal portuário da Hermasa, que permitirá o escoamento da safra das regiões Norte e Centro-oeste. Em clima de campanha, Fernando Henrique avisou que está atendendo ao que anunciou na campanha e vai continuar atendendo aos apelos. A única faixa de protesto era contra a privatização da Companhia de Energia Elétrica do Amazonas.
Na entrevista, o presidente insistiu para que o Congresso aprove as reformas este ano e anunciou que está empenhado nisso. Eu estou cansado de ouvir críticas injustas de que não haveria empenho por parte do governo e da minha parte no tocante às reformas, desabafou o presidente. Não faço outra coisa a não ser pedir que o Congresso vote as reformas.
Fernando Henrique afirmou que não está preocupado com o fato de que a imagem do governo possa ser desgastada por causa do apoio que ele estava dando ao acordo que se firmava no Congresso, beneficiando os parlamentares, ministros de Estado e ocupantes de cargos de confiança. Eu não tenho preocupações com a imagem do governo, tenho preocupações com o Brasil, avisou. Prefiro o relatório tal como está, lembrando apenas que respeitará os acordos que permitirá um ajuste ao Supremo Tribunal Federal (STF) e beneficiar aos funcionários dos antigos territórios. O presidente lembrou, no entanto, que pelo texto a ser aprovado, os aposentados não poderão voltar a trabalhar no governo.
Ontem, o presidente aproveitou para mandar um recado aos sem-terra, que chegam à Esplanada dos Ministérios esta semana. Segundo o presidente, se houver alguma manifestação que não seja pacífica, a Polícia Militar do Distrito Federal estará pronta para defender os interesses do povo. Ele disse que sem-terra não invade prédio. Isso é próprio de quem quer tirar partido político, de quem não tem civilidade, disse ele, que recebe os sem-terra na semana que vem, no Palácio do Planalto.


