Às vesperas do fim da convocação extraordinária (dia 6) e com a emenda da reeleição encaminhada, o presidente Fernando Henrique Cardoso insistiu ontem na necessidade de discutir as reformas administrativa e previdenciária. ‘‘O Brasil não pode esperar mais tempo por estas reformas, vamos fazê-las’’, disse depois de se despedir do presidente do Uruguai, Julio Sanguinetti.
Mesmo lutando para inverter a pauta de interesse no Congresso, o governo não conseguirá incluir as reformas na agenda da próxima semana, por falta de tempo. Câmara e Senado estarão ocupados com a eleição de suas diretorias. Os deputados escolhem sua Mesa no dia 5 e o Senado no dia 4.
A previsão é de que as reformas só devem ganhar espaço no Congresso depois do carnaval, a partir de 17 de fevereiro. Ontem o candidato do governo à presidência da Câmara, o líder do PMDB, Michel Temer, prometeu que a reforma administrativa será um dos principais pontos da pauta. Fernando Henrique não esconde que está conversando com parlamentares para empurrar a discussão das reformas.
O presidente se reuniu pela manhã com os ministros da Fazenda, Pedro Malan, com o da Reforma de Estado e Administração, Bresser Pereira, e com o da Casa Civil, Clóvis Carvalho. O assunto, segundo Fernando Henrique, foi a reforma administrativa. Ontem ele também conversou com o líder do governo no Senado, Élcio Alvares (PFL/ES), e o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), para pedir que o Senado designasse o mais rapidamente possível o relator da reforma da Previdência. À tarde foi anunciado o nome do senador Beni Veras (PSDB-CE) para o posto.
De acordo com o presidente, ‘‘teve um momento em que a agenda política era mais urgente do que as reformas para o Congresso, mas não para o País’’. Fernando Henrique insistiu em que, no momento, o mais importante são as reformas constitucionais. Ele voltou a elogiar os parlamentares. Disse confiar que o Congresso - que teve tanta sensibilidade e sintonia com o País - , continuará neste caminho e dará as reformas constitucionais. O presidente defendeu ainda que é hora de atender mais ao público do que aos que estão nos governos. As reformas são necessárias, segundo ele, para permitir que os serviços públicos sejam mais bem executados. ‘‘As reformas são justas’’, completou.

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