Ontem pela primeira vez, uma pesquisa apontou vantagem para o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em relação ao candidato da oposição Luís Inácio Lula da Silva (PT), na pesquisa de intenção de votos no Estado do Rio Grande do Sul. O levantamento feito pelo Centro de Pesquisa Correio do Povo (CPCP) nos dias 20, 21 e 22 em 56 municípios do Estado dá uma vantagem de 7,2 pontos percentuais a FHC, que aparece com 37,4% da preferência dos 2 mil eleitores entrevistados contra 30,2% de Lula.
Em relação a pesquisa publicada pela mesma instituição no dia 3, FHC subiu 5,2 pontos enquanto Lula caiu 3,8 pontos no mesmo período. Em terceiro lugar aparece o candidato do PPS, Ciro Gomes com 4,6% dos votos também ultrapassando pela primeira vez o candidato do Prona, Enéas Carneiro, que mantêm 4,4% dos votos dos gaúchos. Os demais candidatos não somam 1% dos eleitores.
Na mesma pesquisa o candidato a reeleição para o governo estadual Antônio Britto (PMDB) aparece com 39,7% das preferências contra 32,6% de Olívio Dutra (PT) e 7,7% de Emília Fernandes (PDT). Já para o Senado, Pedro Simon (PMDB) aparece como praticamente eleito com 41,1% dos votos contra 14,8% de seu principal opositor, José Paulo Bisol (PSB), e 3,1% do terceiro colocado, Pedro Ruas (PDT).
Juros Na mesma linha adotada pela equipe econômica nestes três anos e meio, o programa de governo do candidato Fernando Henrique Cardoso não vai explicitar uma meta de redução das taxas de juros. Mesmo assim, o coordenador do programa, Carlos Américo Pacheco, afirmou ontem em Brasília que o objetivo, num segundo governo, continuará sendo convergir os juros brasileiros às taxas do mercado internacional. Mas advertiu que o governo fará ‘‘o que for preciso’’ para defender a estabilidade do Plano Real. ‘‘Se for preciso defender a estabilidade, porque ela é fundamental para o programa de governo, ela será defendida’’, frisou Pacheco.
Embora não haja citação das metas de redução das taxas de juros, Pacheco insistiu que o objetivo do governo, a médio e longo prazos, é praticar taxas de juros menores. Segundo o coordenador do programa, taxas de juros ‘‘compatíveis’’ pressupõem controle fiscal, êxito nas exportações e atrativos para investimento direto estrangeiro. Num dia nervoso para o mercado financeiro brasileiro, o coordenador do programa de governo afirmou também que ‘‘não haverá um Real II ou pacote pós-eleitoral.’’ Mas a inclusão no programa da garantia de que a estabilidade econômica será defendida a qualquer custo pode ser interpretada como um instrumento para o candidato lançar mão, caso seja reeleito, numa eventual necessidade de baixar um pacote de ajustes econômicos.
A equipe que cuida da campanha da reeleição não admite que a crise financeira internacional esteja interferindo na conclusão das metas de governo, mesmo depois de adiar o lançamento do programa para o dia 3 de setembro. Até a semana passada, o lançamento, que será feito pelo candidato Fernando Henrique, estava previsto para acontecer até quarta ou quinta-feira. ‘‘O mundo contemporâneo é um mundo de turbulências e essa instabilidade é vista ano após ano’’, alegou Pacheco. ‘‘Não são os fenômenos de uma semana que nos farão rever as propostas de governo de médio e longo prazo’’, sustentou.
O coordenador justificou o atraso do lançamento do programa com as dificuldades enfrentadas para editar o material. O programa elaborado para um segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso é centrado na manutenção da estabilidade do real e no crescimento econômico, que a equipe do programa projeta entre 3% e 4% no ano que vem, até atingir entre 5% e 6% no quarto ano de governo. A instabilidade provocada pelo transtorno nas economias emergentes não alterou a meta de duplicar as exportações brasileiras para o País crescer. (Colaborou Cláudia Carneiro).

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