O presidente Fernando Henrique disse ontem em São Paulo, em discurso durante a inauguração das novas instalações da TV Globo, que a crise existe, ‘‘mas nós não podemos deixar que ela nos domine’’. FHC afirmou: ‘‘Vamos fazer o que é necessário fazer’’. Ele disse que confia no Brasil, que o País vai superar a crise e citou a famosa frase do premier britânico Winston Churchill durante a 2ª Guerra Mundial: ‘‘Não tenho nada a oferecer a não ser sangue, suor e lágrimas’’. ‘‘Lágrimas porque não fizemos o que deveríamos ter feito a tempo e suor porque vamos superar tudo isso e fazer nosso País um lugar próspero e marcado pelo avanço’’, disse FHC.
‘‘Quantas dificuldades nós já enfrentamos no Brasil e avançamos’’, comparou. Segundo ele, o País pode enfrentar novas dificuldades, ‘‘mas isso deverá ser feito com realismo, sem fechar os olhos à existência delas, com determinação’’.
No discurso, FHC tentou demonstrar que não tem intenção de retaliar Minas e Rio Grande do Sul - o primeiro declarou moratória; o segundo, paga a dívida em juízo. ‘‘Acho que é responsabilidade minha e também dos governadores discutir em termos objetivos, sem querer politizar as questões, sem querer tirar casquinha de uma dificuldade momentânea de um Estado’’, afirmou. ‘‘Isso vale para Minas, para o Rio Grande do Sul, para todo o resto do Brasil.’’
FHC disse que ‘‘o presidente está disposto a colaborar com os Estados desde que os governadores, como a maioria faz, assumam as suas responsabilidades e venham de boa-fé discutir quais são os seus problemas.’’
Em entrevista, FHC reafirmou que está aberto ao diálogo com os governadores de todos os partidos. ‘‘Não faço distinção entre governador de oposição e aliado, porque não existe isso; o que existe é governador eleito pelo povo.’’ A declaração foi feita um dia depois de FHC anunciar a decisão de receber Anthony Garotinho (PDT), do Rio, Olívio Dutra (PT), do Rio Grande do Sul, e Ronaldo Lessa (PSB), de Alagoas, para discutir a crise nas contas dos Estados.
No fim da tarde, Fernando Henrique foi ao Palácio dos Bandeirantes visitar o governador Mário Covas (PSDB), que ainda se recupera da cirurgia para retirada de um câncer na bexiga. ‘‘Fiquei muito satisfeito de vê-lo tão bem disposto’’, disse. Foi o primeiro encontro entre os dois desde que Covas deixou o Incor.
FHC disse que vinha conversando por telefone com Covas nos últimos dez dias. ‘‘Esse é o momento oportuno para conversarmos e trocarmos idéias sobre o futuro do Brasil’’, relatou FHC, que ficou cerca de uma hora no palácio. Após o encontro, ele retornaria a Brasília.

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