O presidente Fernando Henrique Cardoso descartou ontem em Seul a possibilidade de realizar uma ampla reforma ministerial, esperada para depois das eleições das mesas da Câmara e do Senado. Ele evitou confirmar o nome de Celso Lafer para ocupar a vaga deixada pelo ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia. FHC confirmou apenas a data da posse do novo ministro e avisou que o nome escolhido para o posto será anunciado ainda durante sua viagem à Ásia, que termina na quarta-feira. Assessores do presidente, no entanto, confirmaram o nome de Lafer para o lugar de Lampreia.
  Durante entrevista no Hotel Lotte, onde está hospedado, Fernando Henrique disse que nada decidiu sobre o Ministério das Relações Exteriores. Vou falar com vocês ainda no exterior, porque de fato combinei que a posse seria no dia 29, declarou, insistindo que está em conversação com a pessoa escolhida.
  Além da mudança no Itamaraty, desencadeada por uma decisão pessoal de Lampreia, especula-se sobre a possibilidade de mudanças nas pastas de Justiça, Indústria e Comércio, Transportes e até mesmo nos ministérios da Previdência e das Minas e Energia, comandados por afilhados do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
  Essa reformulação, dizem colaboradores de Fernando Henrique, seria um instrumento para acomodar integrantes da bancada governista depois do desfecho da disputa em torno do comando das casas do Congresso. Não vejo razão para esse açodamento, nem necessidade de qualquer medida de minha parte. De modo que isso é uma especulação só, pura, disse o presidente, acentuando que nunca deu nenhum sinal de que planejava uma reforma ministerial.
  Fernando Henrique disse também que Édson Arantes do Nascimento, o Pelé, pode voltar ao ministério se quiser, mas negou ter feito qualquer convite a ele. No momento em que ele quiser voltar à atividade político-administrativa, as portas estão abertas, disse. O presidente explicou que Pelé não precisaria ir especificamente para o Ministério do Esporte. A expectativa é de que o ex-atleta possa vir a ocupar a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).
  Pelé é embaixador das Nações Unidas para uma porção de coisas, como a questão da infância e da juventude, e é um homem que luta em favor da questão do petróleo no exterior e tem uma grande ação na questão do combate às drogas, disse o presidente. Há muitas funções para o Pelé.

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