O presidente Fernando Henrique Cardoso, por intermédio do porta-voz Georges Lamaziére, negou ontem que a saída do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, seja uma interferência do Planalto na disputa entre aliados no Congresso. ‘‘O presidente observou que o ministro apenas o informou de sua decisão’’, disse o porta-voz, tentando amenizar as críticas que o Planalto recebeu, particularmente do presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), por causa do regresso de Bezerra ao Senado para garantir o voto no candidato a presidente da Casa Jader Barbalho (PMDB-PA).
Já no Senado, o ex-ministro rebateu as acusações do PFL e explicou que a exoneração do Ministério da Integração Nacional para votar em Barbalho foi ‘‘uma decisão pessoal’’. Não pode, portanto, segundo a avaliação dele, ser interpretada como uma interferência do governo no processo sucessório do Senado em favor de Barbalho. ‘‘Eu pedi a licença e o presidente concedeu’’, afirmou, ressaltando que a situação do candidato peemedebista é ‘‘bastante confortável’’ e que o voto dele seria apenas ‘‘simbólico’’, sem interferir na decisão.
Apesar disso, ele explicou que resolveu deixar temporariamente o cargo para demonstrar solidariedade a Barbalho e ‘‘construir a unidade’’ do PMDB. No Planalto, assessores do presidente insistem que a saída temporária de Bezerra do governo é apenas um ato político do ex-ministro da Integração Nacional.

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