O presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu ontem que não pode prever qual será o desdobramente da crise financeira mundial, mas avisou que o Brasil tem todas as condições para enfrentá-la, porque o governo está executando as medidas necessárias. O presidente assegurou que não irá anunciar nenhum pacote. ‘‘País sério toma decisões diariamente, não precipitadamente e nem fica dando um choque a cada momento na sua população’’, disse, acentuando que ‘‘não se pode viver com essa sensação de beira de abismo’’. As afirmações foram feitas em entrevista coletiva na Academia de Tênis de Brasília, quando FHC anunciou seu programa de governo para um eventual segundo mandato.
FHC fez questão de responder às críticas da oposição de que estaria escondendo a crise. ‘‘Só não posso transformar a crise em propaganda eleitoral, porque isso não é sério’’, rebateu, acrescentando que a crise não é do Brasil, é mundial, e não há motivo para o País ‘‘ficar absorvendo tudo que é crise’’. FHC foi cauteloso ao falar sobre o futuro da crise e disse que, como presidente, não pode fazer uma avaliação precipitada sobre a sua dimensão. ‘‘Nem no sentido de dizer, ela vem vindo, é uma catástrofe, e assustar todo mundo, e nem no outro: não vem aí, não acontece nada, isso não é sério’’, comentou.
Para ele, um presidente tem que ter responsabilidade sobre o que fala. ‘‘Quando o presidente da República diz, pesa; quando um candidato, que não é presidente diz, pesa menos.’’ FHC avisou que os objetivos do governo serão perseguidos independentemente da conjuntura. ‘‘O governo não vai ficar de braços cruzados’’, avisou. Para ele, as medidas de ajuste serão tomadas, mesmo que em época eleitoral. ‘‘O que for necessário eu faço; popularidade, a gente vê depois.’’
‘‘Não há magia em economia’’, declarou o presidente, ao reafirmar que não vai mexer no câmbio. ‘‘Não dá para você ter um passo de mágica e uma solução que aparentemente resolve tudo e criar um problema enorme’’, observou. Em seguida, acrescentou que o Brasil está protegido porque tem uma enorme quantidade de reservas tão criticadas pela oposição. ‘‘Imagina se não tivéssemos (grandes reservas cambiais)?’’, indagou, justificando que essas reservas custam caro ao País, mas que elas representam ‘‘um colchão protetor’’.
Segundo ele, o governo tem controle sobre os mecanismos de proteção da economia. ‘‘Nós vamos pilotando, navegando e tomando as medidas necessárias’’, acrescentou, ao destacar que o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central estão em Washington mostrando qual a situação do Brasil, a diferença que há deste País com alguns outros que estão em dificuldades, não escondendo que a turbulência é mundial e não brasileira.
‘‘Wall Street fica em São Paulo? Eu acho que não fica’’, ironizou o presidente. ‘‘E onde é que a Bolsa teve pânico, não foi em Wall Street?’’. E prosseguiu questionando: ‘‘Foi a política errada do governo americano que fez (a Bolsa cair)? Foi a falta de proteção da economia americana?’’ Para o presidente, ‘‘é preciso entender melhor o sistema econômico para que se possa defender o País’’. ‘‘Defender sem entender, dá confusão.’’Divulgação/Obritonews‘‘Colchão protetor’’
Fernando Henrique: ‘‘Não há magia; o Brasil está protegido porque tem reservas’’Presidente garante que toma decisões diariamente e que o governo não dá choque no povo a cada momento

mockup