FHC nega força do FMI nas mudanças
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Tânia Monteiro Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso negou ontem que o Fundo Monetário Internacional (FMI) tenha influenciado na alteração da política econômica do governo e na indicação de Armínio Fraga Neto para a presidência do Banco Central. Fernando Henrique ressaltou ainda que ficará atento ao problema da inflação - que não vai voltar - e anunciou que o governo estabelecerá metas de controle que não permitam a reindexação da economia, sem explicar que metas seriam estas.
Pode haver um aumento de preço aqui e ali, pela circunstância da desvalorização, admitiu o presidente Fernando Henrique. Mas não permitiremos a reindexação ou seja, a alimentação permanente de preços numa espiral inflacionária, avisou FHC. Isso está afastado dos nossos objetivos, prosseguiu ele. Pelo contrário, nós vamos ter metas de controle de qualquer processo que vá nesta direção.
As declarações de Fernando Henrique foram dadas no final da manhã, no Palácio da Alvorada, depois que ele se reuniu com os representantes da missão do FMI e de receber a visita do presidente do Uruguai, Júlio Maria Sanguinetti. Na semana passada, em decorrência da desvalorização do real, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, reconheceu que a inflação deverá chegar a 10% este ano.
Na rápida entrevista, FHC disse que tem assistido a uma progressiva volta da confiança dos mercados pelo fato de que foram tomadas decisões fortes e necessárias. Algumas são custosas, como a mudança de comando mas que são necessárias, afirmou, referindo-se à substituição na presidência do Banco Central, sem justificar os motivos da alteração. O presidente toma a decisão quando ela é necessária.
Em seguida, FHC ressaltou que a situação no Brasil está se desenvolvendo como o governo deseja e que está vendo com satisfação a acomodação que começa a existir nos mercados. Para o presidente, existe uma óbvia sobrevalorização do dólar e subvalorização do real, que começou a ser corrigida, já que o BC deixou de usar suas reservas para fazer frente a essas flutuações do mercado. A situação das reservas do Brasil é confortável, disse, acentuando que está empenhado nos fluxos comerciais e que está disposto a fazer o que for necessário para que os fluxos voltem, desafogando a balança comercial.
O presidente declarou que repele as informações que o FMI determinou as mudanças no BC e na política econômica. Isso não é verdadeiro, afirmou o presidente. Até pelo contrário, houve surpresa no FMI e nos outros governos a respeito da indicação (de Fraga) para o Banco Central que não foi, absolutamente, nem sugerida, nem combinada e nem sequer informada.
O presidente garantiu que o governo brasileiro está avançando nas conversas com o fundo e que o encarregado dessas negociações é o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Segundo o presidente, o governo está apenas reafirmando, diante do novo quadro, quais são as metas a serem almejadas pelo Brasil.
Indagado se o governo definiu com o FMI um aumento da segunda parcela do empréstimo, o presidente desconversou alegando que este assunto é mais técnico. Em seguida, garantiu que o País não está com problemas de recursos. Nós estamos com reservas altas.


