Leandro Donatti
Curitiba
O presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não vem ao Paraná para a inauguração da ponte de Guaíra, marcada para amanhã às 9h30. O comunicado foi feito ontem pelo cerimonial do Palácio do Planalto. O presidente já tem compromissos agendados para sábado, em Brasília, e reserva os últimos dias para preparativos da sua viagem à Suíça, no dia 27.
Para representar o governo federal no start das inaugurações que marcarão o ano da disputa pela reeleição do governador Jaime Lerner (PFL), o presidente designou um ministro paranaense, o da Previdência, Reinhold Stephanes (PFL). Eliseu Padilha (PMDB), o ministro dos Transportes; e o presidente do Paraguai, Juan Carlos Wasmosy, não haviam confirmado presença até o início da noite.
O comunicado do presidente causou frustração no governo. Os aliados do governador aguardavam com ansiedade a oportunidade de ver Lerner, agora filiado no PFL, desfilando em palanque ao lado de Fernando Henrique, em Guaíra. Oportunidade onde poderiam haver manifestações de apoio mútuo, fundamentais em ano eleitoral. E terão de se contentar com a presença do governador do Mato Grosso do Sul, Wilson Martins, que acompanhará a abertura da ponte que ligará o Paraná ao seu estado.
Lerner passou a tarde aguardando um ‘‘sim’’ do presidente. O governador soube do comunicado do Planalto por volta das 16 horas. Conformado com a recusa, embarcou logo em seguida para o Rio de Janeiro. Acompanhado da mulher, secretária da Criança e Assuntos da Família, Fani Lerner; e da nova secretária da Cultura, Lúcia Camargo, ele tinha agendado para a noite um jantar com pessoas ligadas ao circuito cultural carioca e que pode resultar em um novo programa de governo.
Às vésperas de entregar a maior ponte fluvial do País, com 3,5 mil metros de cumprimento, o governador Jaime Lerner reserva o seu dia para assinatura de ordens de serviço no interior. As visitas-relâmpagos pelos municípios da região centro-oeste começarão por Inácio Martins, às 10 horas; Palotina, às 12; Terra Roxa, às 13h45; Francisco Alves, às 15 horas; Toledo, às 16; e Ubiratã, às 18. A romaria incluirá também assinatura de convênios e a inauguração de conjunto habitacional e de uma vila rural.
Em Toledo, o encontro com o governador irá reunir prefeitos de toda a região. O prefeito em exercício, Léo Anschau (PSDB), preparou uma reunião no Clube Toledão onde as lideranças entregarão a Lerner várias reivindicações dos municípios, além de um documento da Associação Comercial e Industrial de Toledo. As principais reivindicações são a caracterização do município como pólo têxtil e de alimentos, ramal da Ferrovia Paraná Oeste, novo acesso rodoviário ao futuro Aeroporto Regional de Cascavel e instalação do já criado 20º Batalhão de Polícia Militar.
O documento da associação empresarial, divulgado ontem, ressalta potencialidades do município, como a grande produção agropecuária, o maior frigorífico de aves e suínos do País (da Frigobrás/Sadia) e o ciclo completo do algodão, do plantio à indústria do vestuário. Também é citada a existência de um Centro de Pesquisa em Aquicultura e um curso superior de Engenharia de Pesca. À noite, Lerner terá um jantar com prefeitos da região.
O senador Roberto Requião (PMDB) deve aproveitar os festejos do Palácio Iguaçu, no sábado, para fazer críticas ao governo Lerner, na região Oeste, e reclamar a ‘paternidade’ da obra. Ele percorrerá diversos municípios, mantendo reuniões com lideranças peemedebistas do interior. Para o senador, os cerca de R$ 30 milhões gastos com o término da ponte de Guaíra poderiam ter sido evitados. Para ele, os custos não poderiam exceder os R$ 13,9 milhões licitados pelo seu governo. (Colaborou Paulo Pegoraro, de Cascavel)

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