Brasília O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que o mercado não tem motivos para desconfiar da política econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele observou que não só o novo presidente, como integrantes da equipe de transição, têm dado declarações coerentes sobre o cumprimento de acordos e contratos, inclusive com o Fundo Monetário Internacional (FMI), repetindo as afirmações feitas durante a campanha eleitoral. ''Portanto, não há nenhuma razão que justifique qualquer desconfiança, por parte do mercado financeiro, quanto ao modo pelo qual o novo governo vai encarar essas matérias'', declarou o presidente, durante entrevista coletiva, após a XXIII Reunião do Mercosul, no Itamaraty.
Fernando Henrique se queixou da forma como o mercado vem se comportando, apesar de todas as demonstrações dadas pelo atual e pelo futuro governo. ''É que, mesmo havendo apoio financeiro e a declaração muito nítida de que as políticas econômicas serão responsáveis, sempre sobra a pergunta: será que serão mesmo?'', lamentou o presidente, acrescentando que ''isso é impossível de contestar e simplesmente ajuda a especulação''.
Para o presidente, a instabilidade do mercado ''apenas mostra os momentos tão difíceis que vivemos no mundo''. Ao comentar o que está acontecendo neste momento, no País, ele disse que ''não se trata de crise; é apenas um soluço financeiro e soluço, agente sabe como trata''.
O presidente, que se despediu dos demais chefes de Estado do Mercosul, por ter participado pela última vez desse tipo de reunião, disse estar confiante não só com o desempenho econômico de todos os países do bloco. De acordo com o presidente, ''não só o Brasil, mas todos os países da região tem agido da maneira mais adequada e têm feito esforços consistentes''.
Fernando Henrique lembrou que todas as crises enfrentadas na região têm sido superadas, porque os países são maiores do que as crises. Em seguida, fez questão de repetir que o que está acontecendo agora, ''não é crise, mas apenas um soluço''.

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