O presidente Fernando Henrique Cardoso não reconheceu como críticas as afirmações do sociólogo francês Alain Touraine, diretor da Escola de Estudos Superiores de Ciências Sociais de Paris. ‘‘O presidente não viu, nos comentários do professor Touraine, nem nas palestras, crítica nenhuma ao governo ou aos partidos políticos’’, disse o porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral. ‘‘Foram análises teóricas.’’
Após criticar o PSDB e se mostrar frustrado com as ações de Fernando Henrique para aprovar a emenda da reeleição, Touraine, que está em Brasília, preferiu poupar o seu anfitrião, pelo menos no primeiro dia de visita. Touraine, que está hospedado no Palácio da Alvorada, residência oficial de Fernando Henrique, preferiu ontem não comentar suas avaliações políticas. Ele permanecerá na cidade até domingo.
Fernando Henrique e Touraine almoçaram juntos ontem, ao lado do assessor especial do presidente, Luciano Martins. O senador José Serra (PSDB-SP) também esteve no Alvorada. Durante o almoço, de acordo com Amaral, Touraine fez uma avaliação sobre o que acontece na América Latina, particularmente no Brasil, e defendeu o fortalecimento das instituições da sociedade brasileira. O sociólogo marcou para hoje uma conversa com a imprensa.
Ele terá uma extensa agenda em Brasília. Hoje, encontrará o governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PT), e o ministro da Administração, Luiz Carlos Bresser Pereira. Fará ainda uma palestra no Instituto Rio Branco e visitará a embaixada francesa. Na sexta-feira, enquanto Fernando Henrique estiver em São Paulo, seu hóspede estará visitando um assentamento na Bahia. À noite, Fernando Henrique e Touraine se encontram novamente no Alvorada, onde passam o fim de semana.
O sociólogo, nas últimas entrevistas, disse que mais importante e urgente que a reforma do Estado é a ampliação da mobilização social. Para ele, somente assim o País terá condições de sair da crise institucional que vive, e afastar as ameaças de um mergulho no caos da violência e da ausência de cidadania - como aconteceu com a Colômbia e Bolívia, na avaliação de Touraine.
Kandir Apesar de considerar a reforma tributária como ‘‘necessária e urgente’’, o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, disse ontem na Câmara que as reformas previdenciária e administrativa, nessa ordem, são prioritárias para o governo, dentro do objetivo de equilibrar as contas do setor público. Kandir disse ainda que cabe ao Congresso avaliar se há condições políticas para que a reforma do sistema tributário seja conduzida com maior rapidez.
‘‘A reformulação do sistema tributário é um processo que tem uma lógica política muito delicada’’, disse Kandir, ao depor na Comissão Especial da Câmara que examina o assunto.

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