Quanto mais parecido com o atual ministério ficar a versão tampão que assumirá até 3 de abril por um período de nove meses, melhor para o presidente Fernando Henrique Cardoso. Para evitar traumas à campanha da reeleição, FHC manterá na cota dos quatro partidos aliados (PFL, PSDB, PMDB e PPB) as vagas deixadas pelos ministros candidatos. Nem o presidente sabe ainda exatamente quantas serão as vagas - se seis, sete ou oito. A substituição alcançará cerca de um terço do ministério.
A maior incógnita da reforma, porém, é a volta do senador tucano José Serra (SP) à Esplanada, de onde saiu para ser candidato - derrotado - na eleição municipal paulistana de 96. Ele volta, se quiser. É o que dizem Serra e interlocutores próximos a FHC. Seria uma exceção a uma das raras regras dessa reforma ministerial, já que Serra não ocuparia nenhuma vaga aberta por ministro candidato e teria permanência garantida num eventual segundo mandato do presidente.
Acontece que o senador não definiu se quer voltar, muito menos se quer assumir o Ministério da Saúde, de onde o titular, Carlos Albuquerque, não quer sair. No final de fevereiro, o senador sondou a possibilidade de criação de um ministério que cuidasse de habitação, saneamento e obras de infra-estrutura, com forte impacto na geração de empregos. Ele não quer voltar à área econômica.
O dilema não é só de Serra. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB), terminou a semana ensaiando um recuo na decisão de sair candidato a deputado federal, apesar de fazer campanha nos nove meses que passou à frente da cobiçada pasta. O ministério detém o maior volume de verbas para obras.
Padilha ganhou prestígio junto a FHC por sua atuação nos mutirões de caça a votos no Congresso e na recente convenção do PMDB. Seu maior desejo é comandar o ministério dos Transportes no futuro governo. Outra dúvida é o ministro Paulo Paiva (Trabalho). Ele vai avaliar, durante a semana, se disputa sua primeira eleição.
FHC faz o que pode para não comprometer previamente a composição de um eventual segundo governo, quando terá de levar em conta o desempenho eleitoral de cada um dos partidos aliados (quantos parlamentares e governadores cada um conseguir eleger) para ratear o poder. Falou disso logo nas primeiras consultas sobre a reforma. A negociação ainda irá se estender por mais duas semanas, pelo menos.
Desde já, sabe-se que o ministério-tampão não ficará intacto até o final do mandato. Antes da eleição, devem sair Edson Arantes do Nascimento, o Pelé (Esportes), e Eduardo Jorge (Secretaria Geral da Presidência), para cuidar de negócios e da campanha, respectivamente. Depois da eleição, FHC nomeará o primeiro ministro da Defesa do país.

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