FHC não quer receber governadores em grupo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de janeiro de 1999
Agência Estado 
O porta-voz adjunto do Planalto, Georges LamaziSre, reiterou ontem a disposição do presidente Fernando Henrique de receber todos os governadores que pedirem audiência ao palácio. LamaziSre ressaltou que FHC insiste, no entanto, que cada Estado apresenta uma situação diferenciada, a ser discutida de uma forma isolada. Não se pode politizar uma questão que é técnico-administrativa, argumentou.
Segundo o porta-voz, até o início da noite de ontem não havia chegado nenhum pedido de audiência do bloco de governadores da oposição, liderado por Anthony Garotinho (PDT), do Rio. LamaziSre disse que é direito dos governadores optar por uma atuação em bloco, mas a visão do governo é diferente. LamaziSre espera que o assunto seja solucionado da melhor forma, sem discutir renegociação de dívidas.
Mas, se os governadores endividados cobram de FHC alternativas para os problemas financeiros, os que conseguiram ajustar as contas - às custas de demissões de funcionários e redução de investimentos - também exigem que uma nova renegociação dos débitos não signifique a redução de investimentos federais. Em audiência ontem no Planalto, o governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), levou a FHC a preocupação com a redução dos investimentos federais no Estado em razão desta nova renegociação pleiteada por alguns governadores.
Não sou contra uma nova negociação do governo com outros Estados, mas não é justo que ela resulte em prejuízo para os Estados que fizeram sua lição de casa, disse Gabriel. Ele ressaltou que, quando assumiu o governo, os gastos com pessoal representavam 92% da arrecadação. Nós demitimos 10%, aumentamos a arrecadação e hoje gastamos 58% com a folha de pessoal e 11% com o pagamento de dívida, disse. Gabriel entregou a FHC uma proposta para obras federais no Estado.
A proposta prevê gastos de R$ 260 milhões com a construção e recuperação de estradas este ano e de R$ 900 milhões ao longo dos próximos quatro anos. Como eu fiz a lição de casa, não acho que seja correto que o governo deixe de fazer os investimentos de infra- estrutura em meu Estado para ajudar os Estados que não fizeram seu dever de casa, disse. Por isso, vim dizer ao presidente que é importante que o governo prossiga com os projetos de infra-estrutura no Pará.
Para Gabriel, nem mesmo o argumento dos governadores de oposição - de que receberam dos antigos governadores um Estado falido - pode servir de desculpa. Eu também recebi o governo em situação dramática e, hoje, conseguimos nos estabelecer, ponderou, acrescentando que o Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais são Estados que, historicamente, sempre estiveram em situação especial.
Ao longo dos últimos anos, tivemos vários presidentes destes Estados, que, em razão disso, se beneficiaram de empréstimos e investimentos e criaram infra-estrutura que lhes permitiu crescer, disse. Essa nova renegociação não pode prejudicar os investimentos de infra-estrutura em Estados do Norte e Nordeste, senão, a diferença entre as regiões brasileiras permanecerá.


