Todos os ministros do governo Fernando Henrique Cardoso que se envolveram nas campanhas estaduais no primeiro turno receberam ontem uma recomendação do Palácio do Planalto: ficar longe das disputas regionais neste segundo turno. A ordem foi dada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, que de manhã telefonou para todos eles. A conclusão do Planalto é que se os ministros tomarem partido entre candidatos que apoiam o governo, a votação das reformas pode ficar ameaçada. ‘‘Como pedir empenho dos parlamentares logo após o segundo turno, se dias antes integrantes do governo se mobilizaram pessoalmente para derrotar aliados?’’, questionou um ministro.
A ordem vale inclusive para ministros do mesmo partido do candidato. As únicas exceções serão para os estados onde um candidato aliado esteja disputando contra um candidato de oposição. É o caso do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, chegou a tirar férias para se empenhar na campanha do governador Antônio Britto.
Nos outros estados, qualquer interferência na disputa está proibida. Mas dentro do governo, há quem duvide que esta determinação seja cumprida em São Paulo, onde o governador tucano Mário Covas enfrenta o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). Isso porque ficaria impossível impedir, por exemplo, que o ministro da Saúde, José Serra, deixe de participar.
A decisão evitará o desgaste do governo em oito Estados onde candidatos aliados disputam o segundo turno. Caso a recomendação seja seguida à risca, um dos maiores beneficiados será o ex-presidente Itamar Franco (PMDB), que no primeiro turno teve que conviver com uma romaria de ministros que participavam de solenidades ao lado do governador tucano, Eduardo Azeredo.
Goiás é outro Estado onde o Planalto está tomando todo o cuidado. O deputado federal tucano Marconi Perillo (PSDB) disputará o segundo turno com o senador Íris Rezende (PMDB), que conseguiu eleger o senador e a maior bancada de deputados federais. A mesma recomendação está sendo seguida à risca para os estados com menor número de eleitores. É o caso de Sergipe, Piauí, Rondônia e Roraima. Todos estes com disputas no segundo turno entre aliados.

mockup