As previsões gerais são de tempos difíceis, sobretudo porque o mesmo PFL que se recusa a fazer o papel de incendiário avisa logo que não criará dificuldades à investigação contra o ex-diretor do BB. Os próprios pefelistas já falam em convocar o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, a explicar detalhes de como ficou sabendo que Ricardo Sérgio teria tentado conseguir R$ 15 milhões do empresário Benjamin Steinbruch , que liderou o grupo de empresas e fundo de pensão vencedor do leilão da maior mineradora do País.
O líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), apressou-se em afirmar que todos estão diante de um ‘‘fato que não houve’’, já que o próprio empresário diz na reportagem que não pagou a propina. ‘‘Nunca um governo investigou tanto e combateu tanto a corrupção, mas neste caso o presidente Fernando Henrique não podia agir em cima de rumores, de boataria’’, defende o presidente nacional do PSDB, deputado José Aníbal (SP).
O vice-deputado Wagner Rossi disse que seu partido, o PMDB, está preocupado com as denúncias porque elas ‘‘dificultam a consolidação da candidatura de José Serra à presidência. ‘‘Não é uma candidatura leve. Ele tem densidade, um grande preparo, mas isso também se manifesta como peso’’ disse. ‘‘Sua candidatura que ainda não deslanchou e as denúncias surgem justamente em uma fase da campanha em que três candidatos estão disputando para ver quem tem mais chances de ir para o segundo turno.’’
Rossi acredita que as denúncias são uma tentativa de envolver Serra, mas aposta que ele saberá se defender. ‘‘Ele vai saber enfrentar a situação. Serra é um homem sério e nunca se levantou suspeitas em contrário.’’ Ele disse acreditar que o PMDB será solidário, embora defenda a apuração das denúncias. ‘‘O próprio PMDB já alvo de denúncias que acabaram não sendo comprovadas.’’ Na sua opinião, é natural que surjam denúncias no momento político que o País atravessa.




CRONOLOGIA DO CASO DA VALE
- 1995 - Ricardo Sérgio é indicado pelo então ministro Clóvis Carvalho (Casa Civil), com endosso de Serra, para ocupar a diretoria da Área Internacional do Banco do Brasil
- 1997 - A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) é privatizada em maio. O Consórcio Brasil, liderado pela Companhia Siderúrgica Nacional, de Benjamin Steinbruch, adquire o controle acionário da Vale por R$ 3,3 bi. Steinbruch é nomeado presidente do Conselho de Administração da companhia
- 1998 - Steinbruch, segundo a revista ‘‘Veja’’, se queixa ao então ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros (Comunicações) e ao ministro Paulo Renato de Souza (Educação) sobre a suposta tentativa de cobrança de propina de Ricardo Sérgio na venda da Vale do Rio Doce no ano anterior
Em nome dos tucanos, Ricardo Sérgio teria pedido 15 milhões de reais ou dólares para ajudar a montar o Consórcio Brasil, que comprou a Vale. Ambos dizem que não se lembram do mês em que os encontros ocorreram
Mendonça de Barros afirma ter relatado o caso de propina ao presidente Fernando Henrique Cardoso. FHC afirma nada saber sobre o assunto e recomenda ao ministro que não se envolva no caso. Ricardo Sérgio é mantido no cargo
Em novembro, são divulgadas gravações clandestinas de telefonemas na sede do BNDES entre autoridades do governo sobre o leilão da Telebrás, ocorrido em julho
As fitas indicam o interesse de Mendonça de Barros e do então presidente do BNDES, André Lara Resende, para que o banco Opportunity vencesse um dos leilões. Em uma conversa com Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio revela que deu uma carta de fiança para o Opportunity, assegurando sua participação no leilão da Tele Norte Leste
O escândalo das teles leva Ricardo Sérgio a ser demitido do BB em novembro, no mesmo pacote de afastamentos que inclui Mendonça de Barros e Lara Resende
- 2000 - Steinbruch é afastado da presidência do Conselho de Administração da Vale, por decisão dos sócios

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