FHC não irá a debates no 1º turno
O candidato Fernando Henrique Cardoso deixará de participar de debates com os adversários neste primeiro turno da eleição. O coordenador político da campanha da reeleição, Euclides Scalco, confirmou ontem que Fernando Henrique só enfrentará um debate com o adversário da frente de esquerda, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, caso a disputa se arraste para um segundo turno. Até lá, a campanha deverá ficar restrita a atos políticos pró-reeleição em locais fechados, pois a coordenação da campanha também decidiu evitar os comícios em praças públicas.
Em conversa com Scalco ontem em Brasília, o governador licenciado do Rio Grande do Sul, Antônio Britto (PMDB), considerou um erro a ausência do presidente nos debates. Admitiu, porém, que, com tantos candidatos de partidos nanicos - 14 no total - não dá. Além de anunciar a campanha conjunta da reeleição para os governos federal e gaúcho, a partir da visita de Fernando Henrique a Porto Alegre, no dia 18, Britto cobrou maior presença do candidato nos estados, independentemente das disputas entre os aliados. Depois de conversar com Scalco, Britto encontrou-se com Fernando Henrique durante 40 minutos, no Palácio da Alvorada.
Felizmente, com Scalco na coordenação, acabou a idéia de fazer-se uma campanha sueca no Brasil porque faz parte do rito da política brasileira tocar no candidato e o ver no debate, observou Britto, ao lembrar que o povo está satisfeito com a estabilidade da moeda, mas quer saber do presidente o que virá no pós-real. O governador aconselhou o comando da campanha a incentivar viagens do presidente a todos os lugares para falar dos planos de governo. O voto nunca é gratidão nem pagamento; é investimento e esperança, afirmou.
Scalco ouviu atento as ponderações do governador, mas será difícil que elas produzam alterações na agenda apertada de FHC. Afinal, o conselho político da campanha da reeleição acertou que as viagens do candidato ficarão restritas às sextas e sábados. Considerando-se que o presidente tem compromisso do Mercosul na Patagônia, nos dias 24 e 25, restam apenas nove fins de semana até a eleição de 4 de outubro. Apenas 18 dias estão disponíveis para as viagens do candidato pelo Brasil.
Mas o comitê nacional tem pronta a estratégia que vai compensar a ausência de FHC. Quando ele estiver desembarcando em Porto Alegre, para o comício no Gigantinho, no dia 18, começará a operação Pé na Estrada, que prevê a realização de 35 comícios eletrônicos em cinco estados até o fim do mês.Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Primeira críticaBritto a Scalco: ausência do presidente será um erro da campanhaChristiane Samarco
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