FHC não fala em crise e critica Lula
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terça-feira, 01 de setembro de 1998
Isabel Braga Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso evitou fazer referência à crise financeira mundial no programa eleitoral gratuito de ontem, dedicado à apresentação de propostas de criação de empregos. O pronunciamento sobre a crise feito pelo candidato das esquerdas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último sábado, teve como resposta uma irônica comparação ao desperdício de 1,25 minuto com críticas eleitoreiras ao presidente Fernando Henrique.
Na tela, a imagem de um cronômetro mostrava a passagem do tempo, enquanto o locutor afirmava: No programa de sábado passado, mais uma vez o PT gastou parte do seu tempo com críticas eleitoreiras ao presidente Fernando Henrique. Ao invés de fazer propostas e apresentar soluções, foram 1 minuto e 25 segundos desperdiçados. Imaginem se fossem quatro anos. Segundo os marqueteiros da campanha tucana, a crise internacional já foi abordada e os demais programas continuarão no mesmo rumo.
Na curta referência à crise, o programa tentou mostrar que Fernando Henrique é o mais preparado para enfrentar o problema. O mundo passa por um difícil momento econômico. Para se defender, os Estados Unidos têm Bill Clinton e a Inglaterra, Tony Blair; a França Jacques Chirac e a Itália Romano Prodi. A Alemanha tem Helmut Kohl. Nestes eleições você vai escolher qual dos candidatos a presidente do Brasil é o mais preparado para defender você e o nosso País.
No programa de ontem, Lula também explorou a comparação da situação brasileira com os demais países, enfatizando as mudanças de governo ocorridas na Inglaterra, França e Japão em razão de crises econômicas. Quando a crise atingiu a Inglaterra os ingleses mudaram para Tony Blair, afirmou, fazendo o mesmo raciocínio para os demais governantes. No final, o locutor questionou se os brasileiros irão manter no poder o presidente Fernando Henrique.
Trabalhadores Entrevistado ontem na propaganda eleitoral do presidente-candidato, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, destacou a importância do real para os trabalhadores. O sindicalista foi apresentado como a melhor pessoa para falar sobre as saídas para o desemprego por presidir uma central sindical que reúne 1,2 mil sindicatos e mais de 8 milhões de trabalhadores. Ele afirmou que é ilusão achar que os salários na época da inflação eram maiores e criticou os que fazem críticas infundadas ao governo.
Paulinho classificou a requalificação do trabalhador como a principal realização do governo Fernando Henrique depois do Plano Real. O presidente da Força Sindical criticou o fraco desempenho do Programa de Geração de Empregos (Proger) na zona urbana, mas garantiu que já está conversando com o presidente para que sejam feitos os ajustes.
Nos intervalos da entrevista, Fernando Henrique falou sobre o programa de criação de empregos para os jovens. Segundo o presidente, a idéia é estimular a contratação de jovens reduzindo temporariamente os encargos sociais gastos pela empresa com sua contratação.


