FHC não aceita negociar vaga de Motta
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de abril de 1998
Agência Estado 
France-PresseO rei e o plebeuFernando Henrique e o rei Juan Carlos: cumprimentos após a viagem marcada pela morte de Sérgio MottaO presidente Fernando Henrique Cardoso desembarcou ontem, em Madri, para uma visita de cinco dias avisando que não haverá nenhum tipo de negociação para a escolha do substituto de Sérgio Motta, no Ministério das Comunicações. Quero deixar bem claro que o ministro das Comunicações é escolha pessoal minha, tem a ver com processo importante de ordem técnica e econômica e, portanto, não está submetida a nenhuma negociação de nenhum tipo, disse o presidente. Com isso, Fernando Henrique tenta afastar qualquer possibilidade de disputa pelo cargo pelos partidos da base aliada.
Fernando Henrique disse não ter pressa em substituir Juarez Quadros, que está ocupando interinamente o Ministério das Comunicações desde a segunda-feira da semana passada, quando o estado de saúde de Motta se agravou. Motta morreu às 23h45 de domingo. Vou ver na minha volta, mas não creio que haja necessidade de pressa nessa matéria, afirmou FHC, após comentar que Juarez Quadros lá está e lá continuará por ser uma pessoa muito afinada com o programa de governo.
France-PresseMais próximosCardoso e o primeiro-ministro José Maria Aznar: intercâmbio comercial crescente aproxima os dois países
As declarações do presidente foram dadas em entrevista, assim que chegou à Madri, às 13h20, hora local, 8h20 no Brasil. Fernando Henrique assegurou que a venda das empresas de telecomunicações prosseguirá no mesmo ritmo. Temos que levar adiante o processo de privatização e há muitos problemas a serem resolvidos. Ele comentou ainda que embora Motta estivesse bastante enfronhado em todo o processo de venda da Telebrás e das concessões de telefonia celular privada (banda B), ele já havia criado um conselho supervisor das privatizações, coordenado e supervisionado diretamente pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Carlos Mendonça de Barros.
Para Fernando Henrique, a morte de Sérgio Motta em nada influenciará o mercado de telecomunicações, como insinuam os especuladores. Desde a criação da Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações, o próprio Motta já havia organizado o esvaziamento de sua pasta. Além do mais, disse, a linha de privatização é minha, é do governo e vai continuar da mesma maneira disse ele, insistindo que nada será alterado em todo esse processo.


