O presidente Fernando Henrique Cardoso fará ampla reforma no ministério no final do ano. O anúncio foi feito ontem pelo porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral. A alteração no Ministério será ‘‘mais ampla, dessa vez, para incluir as mudanças que decorrem da saída daqueles (ministros) que vão se candidatar’’ nas próximas eleições, explicou.
Indagado se havia insatisfação do presidente com algum ministro, Amaral respondeu que não. A reforma será feita quatro meses antes de vencer o prazo de desincompatibilização dos ministros que serão candidatos nas próximas eleições.
‘‘O governo tem que se preparar, não pode ficar fazendo substituições de última hora para enfrentar um período de governo que ainda é longo’’, explicou o porta-voz. Segundo ele, Fernando Henrique pretende iniciar o ano de 1998 ‘‘com nova equipe’’. Amaral informou também que, até o momento, nenhum ministro manifestou a intenção de deixar a equipe para se candidatar. Disse ainda que o presidente não fará uma reforma porque quer, ‘‘mas porque os fatos (eleitorais) imporão uma reforma’’.
Sobre a possibilidade de o presidente passar a servir-se de um ministério eminentemente ‘‘técnico’’, o porta-voz afirmou que ‘‘tudo o que está sendo dito’’ neste sentido, inclusive a informação de que seria extinto o Ministério da Coordenação de Assuntos Políticos, ‘‘é mera especulação’’. O presidente, de acordo com Amaral, ‘‘não pensou sobre isso e nada disse a respeito’’.
Especulações O convite feito ao ex-presidente da Câmara Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) para ser o articulador político do governo deu margens às especulações sobre as alterações no governo. Depois de algumas reações contrárias, o PSDB aceitou ter Luís Eduardo no comando da coordenação política do governo, mas a concordância tucana não significa que esteja tudo resolvido. Antes mesmo da resposta de Luís Eduardo, a cúpula do PFL já está reivindicando mais espaço de poder.
‘‘Eu defendo que Luís Eduardo seja ministro e, se me ouvir, ele serᒒ, insistiu ontem o líder do partido na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE). A liderança do governo é pouco para um deputado da estatura do Luís’’, declarou o deputado Ney Lopes (PFL-RN).
Segundo o líder Inocêncio, Luís Eduardo recebeu ‘‘um convite amplo’’ de FHC e dará sua resposta na segunda-feira, depois de encerrar sua viagem à Europa. ‘‘Na semana que vem ele já estará em sua nova função, ajudando o governo a aprovar a reforma administrativa’’, apostou. ‘‘Mas antes o presidente terá de lhe dar carta branca na coordenação política, ou não valerá a pena’’, emendou o deputado Abelardo Lupion (PFL-PR).
A movimentação dos pefelistas visa sobretudo a aumentar a influência do partido dentro e fora do Congresso. ‘‘Essas exigências vêm no vácuo do enfraquecimento do Serjão (Sérgio Motta, ministro das Comunicações), porque não há vazio no poder’’, avaliou o tucano Nelson Marchezan (RS). O comando do PFL lembra que a liderança do governo, tal como funciona hoje, já é do partido e que transferi-la das mãos de Benito Gama (PFL-BA) para as de Luís Eduardo não implica em ganho, mas em risco para seu novo comandante.
‘‘O perigo não é o de Luís se queimar, mas de não poder ajudar o governo no nível desejado, a despeito da competência que tem’’, explicou Ney Lopes, ao defender a recusa do convidado. O raciocínio também se aplica a dois ministérios: o das Minas e Energia, comandado pelo baiano Raimundo Brito, e o do Meio Ambiente, dirigido pelo pernambucano Gustavo Krause. ‘‘Trocar Krause por Luís Eduardo só serviria para magoar o vice-presidente Marco Maciel’’, admite Inocêncio Oliveira.
Enquanto o grupo baiano reivindicava a cadeira de Motta, Inocêncio ponderava que há outras alternativas que podem garantir os ‘‘instrumentos’’ necessários à atuação de Luís Eduardo, sem ‘‘bulir’’ com tucanos. Também não há interesse em desalojar o peemedebista Luiz Carlos Santos do ministério dos Assuntos Políticos, por duas razões: a Pasta é fraca e o presidente já deixou claro que não trocará seu comandante.
Inocêncio vê com bons olhos a idéia de se criar o ministério da Habitação e Saneamento. Encerrada a votação das reformas constitucionais, que o governo quer concluir até fins de agosto, começa a nova etapa ‘‘realizadora’’ da administração Fernando Henrique, dando ênfase à área social.

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