MONTEVIDÉU - No seu segundo dia de visita ao Uruguai e às vésperas de uma decisão judicial sobre a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, o presidente Fernando Henrique Cardoso mudou seu discurso em relação ao Poder Judiciário brasileiro. Ontem, em duas oportunidades, ele deu declarações ressaltando a importância da Justiça no país e afirmando que seu governo cumpre decisões judiciais.
Ao adotar uma posição mais conciliatória, FHC previu que a Justiça vai confirmar o leilão de privatização da Vale, o que será ‘‘uma decisão positiva’’. ‘‘O governo do Brasil sempre respeitou a Justiça, que, no tempo em que lhe for conveniente e próprio, tomará a decisão. Nesta matéria, não há controvérsias’’, disse FHC.
Confiante em uma decisão favorável, ele afirmou que o governo ‘‘vai levar adiante’’ a privatização, ‘‘porque ela é importante para o Brasil’’. ‘‘A relação institucional tem que ser mantida com muita tranquilidade, para que a democracia progrida’’, arrematou.
O ministro Raimundo Brito (Minas e Energia), para quem a privatização da Vale é ‘‘um processo irreversível’’, também adotou uma posição semelhante. ‘‘Vivemos em um país onde há a plenitude do Estado de direito.’ Mas ele deixou escapar que o adiamento do leilão provocado por decisões judiciais ‘‘não trouxe benefícios para o país’’, que já poderia estar reduzindo os custos de sua dívida interna com os recursos arrecadados nessa privatização.
As declarações iniciais de FHC foram dadas após um encontro com o presidente do Uruguai, Julio María Sanguinetti, no Edifício Liberdade - a sede administrativa do governo uruguaio. FHC reforçou o diálogo conciliatório ao visitar a Suprema Corte de Justiça, onde foi recebido pelo presidente da Casa, Milton Cairoli.

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