FHC muda comando e inaugura novo estilo
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sexta-feira, 23 de maio de 1997
Agência Estado de Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso vai modificar não apenas o comando político do governo, como também inaugurar um novo estilo de administração. O timing dessas mudanças já está definido: assim que for aprovada a emenda da reeleição no Senado (dia 4 de junho), ele pretende fazer um pronunciamento à Nação para prestar contas de suas realizações e dos projetos que executará até o final de seu mandato.
O detalhamento da nova fase, que está sendo chamada de realizadora, do governo, será dado numa entrevista coletiva à imprensa. Neste dia, Fernando Henrique já estará operando com um time novo na coordenação política, garantiu um de seus colaboradores mais próximos. Todo o esforço do presidente, neste momento, tem por objetivo incluir o deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) no time de operadores políticos.
Ele será o maestro da base do governo, disse o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), enquanto o deputado Luís Eduardo era recebido por Fernando Henrique no Palácio do Planalto. O desafio do presidente é mexer as peças sem desmontar o xadrez, resumiu.
Segundo fontes do Palácio do Planalto, a tendência, ontem, é dar a Luís Eduardo a liderança do governo na Câmara, mas ainda assim persistiria um problema: que destino dar ao ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos. Esse ministério já se esgotou e não veste bem no Luís Eduardo, avaliou um amigo e colaborador do presidente. Ele não vê dificuldades em entregar ao cacique baiano a cadeira do atual líder do governo na Câmara, Benito Gama (PFL-BA). Tirar do Benito para dar ao chefe dele não é problema; eles que se entendam, avaliou. Já não se pode dizer o mesmo do ministro Santos.
Equacionado o paradeiro do ministro Santos, restará a Fernando Henrique outro problema: acomodar um tucano no comando político. O presidente já avisou ao José Aníbal (PSDB-SP) que ele terá um papel importante nesse novo esquema, mas não disse onde, contou um dirigente do PSDB. A idéia é deixar Aníbal e Luís Eduardo operando na Câmara, enquanto o recém empossado ministro da Justiça, senador Íris Rezende (PMDB-GO), trabalha no Senado, auxiliado pelos líderes governistas Élcio Alvares (PFL-ES) e José Roberto Arruda (PSDB-DF). Eu acho bom reforçar a coordenação política, disse ontem o ministro Íris.
Com o recesso branco do Congresso na próxima semana, o Planalto aposta no esfriamento da crise provocada pelas denúncias de compra de votos para aprovar a reeleição, fundamental para que se dê início à nova fase do governo. Neste segundo tempo, o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, perderá seu lugar no comando político do governo. Ele terá de se limitar ao espaço de seu Ministério, porque é isto que o presidente quer, sentenciou um interlocutor de Fernando Henrique, ao salientar que o novo time político terá tarefa diferente do atual.
Não foi por acaso que o presidente enfatizou no discurso de posse do ministro da Justiça que as reformas constitucionais estão entregues ao Congresso. O esforço para concluir as reformas Administrativa e da Previdência Social só vai durar até julho e a ordem é não transigir, para evitar que se repitam denúncias de mercado de votos. O PSDB será firme na defesa das reformas que interessam ao governo e ao País e só vai negociar aquilo que julga ser correto, avisou o presidente do partido, senador Teotônio Vilela.


