O presidente Fernando Henrique disse ontem, no Panamá, que o ministro Alcides Tápias (Desenvolvimento) e o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, devem permanecer no governo. Os dois se desentenderam por causa do pacote de estímulo às exportações, anunciado na última sexta-feira. FHC confirmou que conversaria com Tápias sobre as desavenças nos próximos dias, mas descartou o afastamento do secretário ou do ministro. ‘‘Esse negócio de ‘‘ou ele ou eu’ não se põe ao presidente da República. Não existe isso’’, afirmou FCH.
Na disputa entre os dois auxiliares, FHC deu apoio público ao ministro. Segundo FHC, Maciel ‘‘está por fora’’ se disse que as medidas de incentivo à exportação foram tomadas sem o conhecimento da equipe econômica. Ele confirmou ter dado aval às medidas. ‘‘Quem tem autoridade sou eu. O resto é conversa fiada.’’ Segundo o presidente, o pacote de medidas de incentivo à exportação foi discutido entre ele e os ministros do Desenvolvimento, da Fazenda e do Planejamento. ‘‘Todas as medidas anunciadas pelo ministro Tápias, ele o fez com o meu conhecimento, com a minha decisão’’, afirmou.
FHC disse que as medidas ‘‘são para valer’’ e que não há problema nenhum com elas. ‘‘Não tenha dúvida nenhuma. As medidas anunciadas foram tomadas com a minha decisão e, portanto, elas são irrevogáveis.’’ As declarações de FHC procuram proporcionar uma posição mais confortável ao seu terceiro ministro do Desenvolvimento em menos de dois anos desde que a pasta foi criada.
Tápias ficou tão irritado com as declarações de Maciel no dia do lançamento do pacote de exportações que ameaçou pedir demissão caso o secretário da Receita ficasse no cargo.
O pivô da crise foi a seguinte declaração de Everardo Maciel sobre a proposta de rever o sistema de ressarcimento do PIS e da Cofins cobrados durante o processo de fabricação de produtos de exportação: ‘‘Estou com um pepino na mão. Teremos dificuldades técnicas para colocar a medida em prática’’.
As medidas – que não entrarão em vigor imediatamente – têm como objetivo aumentar em 20% ao ano as vendas externas e melhorar o resultado da balança comercial brasileira. Até a semana passada, a balança já registrou um déficit de US$ 42 milhões neste ano.
Na mesma noite de sexta-feira, Tápias reagiu, em entrevista à ‘‘Folha de S.Paulo’’: ‘‘Ao dizer algo diferente, ele está desautorizando a mim, ao Malan, que é chefe dele e estava a par de tudo e, principalmente, ao presidente, que mandou ir em frente com as medidas’’.

mockup