Mesmo com o tumulto nas sessões e três tentativas frustradas de votação, o presidente Fernando Henrique Cardoso reafirmou ontem a líderes governistas que vai manter o pedido de urgência para a votação do projeto que modifica a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). ''Não há hipótese de retirada da urgência'', afirmou o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), após conversar com FHC por telefone. Segundo ele, FHC disse que o projeto é importante para o país e que a sessão de anteontem mostrou que o governo tem maioria no Congresso.

Inocêncio acrescentou que a proposta será votada na próxima terça-feira ''com ou sem painel eletrônico''. Falha no sistema eletrônico do plenário na sessão de anteontem provocou novo adiamento da decisão. ''Nós temos pelo menos 260 votos. Vamos votar pelo sistema eletrônico ou com chamada nominal'', afirmou Inocêncio. O líder enviou telegramas para os deputados de sua bancada convocando-os para a sessão de terça-feira à tarde.

O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), prefere esperar a volta do funcionamento do painel. ''O governo não teme votação com chamada nominal, mas estou trabalhando com a hipótese do presidente da Câmara (Aécio Neves PSDB) de que o painel estará funcionando na segunda-feira'', disse Madeira.

Os partidos de oposição, que concordam com a votação pelo sistema de chamada nominal, intensificaram o trabalho de mobilização nos Estados. ''Esperamos que a mobilização produza efeitos suficientes para derrubar o projeto na próxima semana'', afirmou o líder do PT, Walter Pinheiro (BA).

Os diretórios regionais do PT deverão fazer o que o partido chama de lista positiva. Vão divulgar os nomes dos deputados que até agora votaram contra a proposta para que o eleitor pressione os que ainda não se manifestaram contrário ao projeto.

Sindicatos que combatem o projeto estão divulgando impressos dos chamados ''traidores dos trabalhadores'', com foto dos deputados que estão com o governo na defesa da proposta.

O projeto que estabelece que as convenções e os acordos coletivos prevalecem sobre a lei foi enviado ao Congresso em regime de urgência, o que obriga a sua votação no prazo de 45 dias. Caso o prazo não seja cumprido, a Casa, Câmara ou Senado, onde o projeto estiver tramitando não pode votar nenhuma outra proposta antes de decidir sobre o projeto do Executivo.

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