Agência Estado
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Jogo de cinturaSerra, Paiva, FHC e Gonçalves: cerimônia restrita e sem pompas para evitar atritos entre os políticosO presidente Fernando Henrique Cardoso limitou as mudanças na Esplanada e acertou a manutenção dos ministros Gustavo Krause e Arlindo Porto nas pastas do Meio Ambiente e Agricultura. O pefelista Krause desistiu de disputar um mandato na Câmara, e o petebista Arlindo Porto conseguiu resistir à cobiça do PPB, que havia reivindicado sua cadeira a FHC.
PFL e PMDB esperam ver definidos hoje os nomes nos novos ministros da Previdência Social e da Justiça. O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, teve cancelada a audiência marcada para ontem com FHC e disse que ainda aguarda uma definição do presidente sobre a manutenção do ministério da Articulação Política. ‘‘Ele (o presidente) tem de saber o que precisa em termos de apetrechamento (sic) governamental e decidir se manterá o ministério’’, afirmou Bornhausen, sobre o destino da pasta ocupada atualmente pelo pefelista Luiz Carlos Santos e criada há dois anos na cota do PMDB.
O ministro da Saúde, José Serra, defendeu ontem a vinculação de receitas da União, estados e municípios para a saúde. Segundo Serra, para que a descentralização nessa área funcione, será preciso garantir um fluxo permanente de recursos. A cerimônia de transmissão de cargo lotou o auditório do Ministério da Saúde, que tem capacidade para 108 pessoas sentadas. Praticamente não havia lugar nem mesmo para ficar de pé.
O ex-ministro Carlos Albuquerque não compareceu. O cargo foi transmitido a Serra pelo secretário-executivo do ministério, Barjas Negri. Sob forte calor, se aglomeraram no local a presidente do Conselho da Comunidade Solidária, Ruth Cardoso, ministros (Paulo Paiva, Sérgio Motta, Paulo Renato Souza, Raul Jungmann).
‘‘O financiamento da saúde é um problema do conjunto do governo. A saúde precisa de fontes de recurso estável e precisa haver uma proporção entre União, estados e municípios. Se um põe mais, e o outro não tem obrigação, o outro tira. Isso tem que ser bem articulado’’, afirmou Serra em entrevista após a cerimônia. ‘‘Quanto à definição de fontes de recursos, CPMF etc, essa não é uma definição do ministro da Saúde. Essa é uma definição do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, dos seus ministros, que será tomada a curtíssimo prazo. A minha posição é que existam fontes de financiamento.’
De acordo com o ministro, o orçamento executado na saúde tem melhorado nos últimos anos, assim como a aplicação desses recursos, mas ainda é preciso combater a corrupção e o desperdício. ‘‘A saúde precisa de mais recursos e precisa utilizar melhor os disponíveis. Precisa também de regularidade no fluxo desses recursos. O atraso é especialmente burro, pois em época de estabilidade nem sequer economiza alguma coisa.’
Serra afirmou que, na saúde, o mercado e a concorrência operam ‘‘pouco e mal’’. Citando dado segundo o qual no Brasil 52% da população ganha até cinco salários mínimos, ele perguntou ‘‘aos economistas mais exaltados na defesa do império amplo, geral e irrestrito’’ do mercado: ‘‘Como, por meio do mercado, conseguir que o filho de um operário tenha a mesma chance de se recuperar de uma doença que o filho de um executivo?’
Como prioridade de sua gestão, ele citou a área da saúde da mulher, o que provocou elogios de Ruth Cardoso. ‘‘É uma condição fundamental para este país ir para a frente. Investindo em qualidade de vida para as mulheres, isso reflete de maneira direta na comunidade’’, disse Ruth Cardoso. Outra área citada como prioritária, o controle de epidemias e vacinas, encontrará uma novidade que poderá favorecer a gestão: foi confirmada a cassação da liminar que proibia compras de vacinas por intermédio do fundo rotatório da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde).
Hoje, o ministro passará o dia no Rio de Janeiro, se reunindo com autoridades de saúde e o governador Marcello Alencar (PSDB), para discutir campanha de combate à dengue no Estado. Na quinta-feira, ele irá a Minas Gerais com o mesmo objetivo. ‘‘É preciso ter uma campanha de emergência. Vamos reativar o plano de longo prazo de combate à doença, mas temos que atuar já esta semana para impedir que a epidemia continue se alastrando e vitimando pessoas.’

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