FHC manda economizar em publicidade
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sexta-feira, 22 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
O governo irá concentrar a publicidade do programa Brasil em Ação, considerado o carro-chefe da campanha pela reeleição, no Ministério do Planejamento. O presidente Fernando Henrique Cardoso convocou ontem os ministros que possuem projetos no Brasil em Ação para anunciar corte nas verbas publicitárias de alguns ministérios e seu remanejamento para o do Planejamento.
Ao mesmo tempo que precisa de recursos para divulgar as obras do Brasil em Ação, o presidente tem de observar determinações da nova lei eleitoral que está sendo votada na Câmara: em 1998, os gastos com publicidade do governante que se candidatar à reeleição não pode ser maior do que a média do total gasto nos últimos três anos de governo.
O porta-voz Sérgio Amaral reconheceu que a limitação dos gastos publicitários, determinada pelo presidente, está relacionada com a eleição. Justamente por ser um ano eleitoral é que o presidente quer que a verba de publicidade do ano que vem seja menor do que a deste ano, e assim vai ser, explicou.
Amaral negou que o Brasil em Ação será o carro-chefe de propaganda do governo, mas admitiu que a única verba publicitária a crescer será a do Planejamento, para divulgar os 42 programas. O Brasil em Ação é um programa que tem uma unidade, e é mais fácil você montar uma comunicação que tem uma unidade quando isto está centrado num orgão só, justificou.
A publicidade dos 42 programas será realizada em conjunto pela Secretaria de Comunicação Social e pelo Ministério do Planejamento. Para este ano, já foram remanejados R$ 7 milhões e, para 1998, segundo Amaral, serão transferidos mais R$ 18 milhões para o Planejamento, que se somarão a outros R$ 10 milhões. Uma verba que não tem nada de extraordinária, comentou.
Segundo Amaral, o presidente quer que os ministérios já reduzam gastos com publicidade neste ano. Quer também que, no Orçamento para 1998, a verba seja menor do que os R$ 120 milhões dispendidos com publicidade em 1996. Amaral não disse, entretanto, de quanto será a redução. O que se quer é que o executado em 1998 não passe de R$ 120 milhões.
Este total refere-se apenas à publicidade da administração direta do governo. Não estão incluídas aí as verbas publicitárias das estatais, que passam de R$ 400 milhões. Entre os cortes setoriais já anunciados, estão 50% (R$ 10 milhões) nas verbas do Banco Central (BC) e do Ministério da Indústria e Comércio e Turismo (MICT), que seguirão para o Ministério do Planejamento.
Algumas áreas terão cortes menores, e em outras haverá um remanejamento, argumentou. Portanto, não há aumento global das verbas da publicidade para o ano que vem, ao contrário, há uma redução, insistiu o porta-voz.
Participaram do encontro com Fernando Henrique, no Palácio da Alvorada, oito ministros, além dos presidente do Banco do Brasil (BB), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Caixa Econômica Federal (CEF). Além do anúncio do cortes nas verbas, os ministros foram informados que pesquisa recente mostra uma melhora nos níveis de aprovação do governo, que caíram em maio de 1996.
O consultor da Secretaria de Comunicação Social, Antônio Lavareda, mostrou que aprovação do governo em maio era de 49%, subindo em agosto para 55%, e que a reprovação que era de 42% caiu para 34% . Portanto a diferença entre aprovação e reprovação aumentou de 7% para 21%, comentou Amaral.
O porta-voz lembrou que em 1996 os índices de aprovação do governo também caíram em maio e subiram no segundo semestre. Me parece que é um comportamento cíclico, disse. Este ano, a queda foi menor que no ano passado e a recuperação foi muito mais rápida.


