FHC: ''Língua solta diz bobagem''
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sexta-feira, 06 de julho de 2001
Wilson Silveira Agência FolhaDe Lajeado (TO) 
O presidente Fernando Henrique criticou ontem o lero-lero do PMDB, a língua solta do presidente do partido, senador Maguito Vilela (GO), e concluiu: Tomem uma posição. Não querem, saiam do governo. FHC ressalvou que uma ala do partido mantém o apoio ao governo e sugeriu: A parte que não quer, pegue o rumo da roça.
Apesar de usar esse tom, o mais duro com que já se referiu à ala não-governista do PMDB, FHC negou que estivesse dando um ultimato ao partido. Eu não dou ultimato a ninguém. Isso não precisa, eu acho que isso é passado, disse. Quando falo como presidente da República, não fico atacando terceiros. Quando é presidente de partido não pode ter a língua solta, porque a língua solta diz bobagem.
Essa foi uma referência às críticas ao governo que vêm sendo repetidas por Maguito Vilela, defensor do rompimento do PMDB com o governo e do lançamento da candidatura do governador Itamar Franco (MG) à presidência da República.
Questionado se Vilela havia atingido o limite, FHC respondeu: O limite não é meu, é objetivo. O PMDB vai ter de resolver isso, ele tem uma convenção agora (em setembro). Evidentemente, todos os partidos que quiserem apoiar o programa (do governo) são bem-vindos.
FHC fez essas afirmações em rápida entrevista que concedeu no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães, em Lajeado (a 53 km de Palmas), que visitou pela segunda vez.
O presidente reafirmou os termos de entrevista que concedeu à Organização Jayme Câmara e publicada ontem pelo Jornal do Tocantins, de Palmas, e por O Popular, de Goiânia. Nessa entrevista, questionado sobre as afirmações recentes de Vilela, FHC as atribui a uma rixa do senador com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
O miolo dessa questão é regional e isso acaba afetando a esfera federal. Ele (Vilela) fica motivado a me atacar, me ataca, diz coisas que eu não diria. Eu acho que a gente deve ser mais moderado na hora de falar certas coisas. Eu nem vejo, nem olho, nem leio. Para não governar com o fígado, eu nem leio.


